O padre Ferdinando Mancílio fez críticas ao uso da imagem de Nossa Senhora Aparecida durante uma missa celebrada nesta segunda-feira (12), no Santuário Nacional, no interior de São Paulo. Sem mencionar nomes de políticos, o sacerdote condenou quem utiliza símbolos religiosos sem demonstrar, segundo ele, verdadeiro amor pela santa.
A declaração ocorreu durante as comemorações do Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, em uma celebração que contou com a participação de crianças e famílias.
A manifestação ganhou repercussão em meio à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcada por uma controvérsia sobre o título de padroeira do país.
Padre condena mentiras e busca pelo poder
Durante a homilia, Ferdinando Mancílio pediu coerência entre a fé demonstrada publicamente e as atitudes de quem utiliza a imagem de Nossa Senhora.
“Nossa Senhora vem dizer para nós adultos: chega de mentiras. Chega de quem quer os palácios, mas não quer o coração do ser humano. A gente fica indignado quando se tem uma imagem de Nossa Senhora nas mãos, mas a gente sabe que ela não é amada por quem a segura”, afirmou.
Embora não tenha identificado a quem se referia, o padre relacionou sua mensagem à necessidade de sinceridade, compromisso com o próximo e respeito aos valores religiosos.
Em outro momento, o sacerdote destacou a importância da paz e da justiça para a sociedade brasileira.
“Senhora de nossa pátria, concedei que o povo brasileiro fiel à sua vocação, vocação à paz e à justiça possa chegar à pátria definitiva”, declarou.
A celebração integrou a programação especial do Santuário Nacional de Aparecida, que recebe milhares de fiéis durante o feriado religioso.
Nossa Senhora virou tema da campanha eleitoral
As declarações ocorreram semanas depois de Nossa Senhora Aparecida se tornar assunto de uma controvérsia na campanha presidencial.
O episódio começou após Flávio Bolsonaro, candidato do PL, afirmar que, caso fosse eleito, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil pertence a Jesus Cristo.
A declaração provocou debates sobre a relação entre religião e Estado, além da circulação de uma informação falsa segundo a qual o senador pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Não há comprovação de que Flávio tenha apresentado essa proposta.
Em meio à repercussão, o candidato acusou integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de colaborar com o PT na divulgação da informação falsa, sem apresentar provas.
A entidade católica negou a acusação e repudiou a disseminação de desinformação.
Posteriormente, Flávio apareceu segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante um compromisso de campanha em São Paulo e fez um gesto de aproximação com a CNBB.
Religioso já havia criticado manifestação política
Não foi a primeira vez que Ferdinando Mancílio fez declarações interpretadas como críticas à utilização da religião em manifestações políticas.
Em fevereiro, o sacerdote questionou uma caminhada até Brasília liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), realizada em protesto contra condenações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.
Na ocasião, também sem citar diretamente o parlamentar, o padre criticou a busca pelo poder e cobrou ações concretas em favor da população.
A homilia desta segunda-feira voltou a abordar a distância entre manifestações públicas de fé e atitudes consideradas incompatíveis com os ensinamentos religiosos.
No mesmo dia, os dois candidatos à Presidência participaram de celebrações em homenagem à padroeira do Brasil.
Flávio Bolsonaro esteve em uma missa na Catedral de Brasília, enquanto Lula participou de uma cerimônia religiosa no Palácio da Alvorada.
Já o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) acompanhou a missa solene no Santuário Nacional de Aparecida, ao lado da esposa, Lu Alckmin, e de aliados políticos.







Deixe um comentário