Tiroteio na Gardênia Azul deixa policial do Bope morto e outros cinco agentes feridos

Policial do Bope morto neste domingo era irmão de Heber Carvalho, sargento que perdeu a vida na megaoperação do Complexo da Penha em 2025; polícia investiga se equipes do Bope e do 18º BPM se confundiram durante patrulhamento

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Um tiroteio envolvendo policiais militares terminou com um subtenente do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) morto e outros cinco agentes feridos na manhã deste domingo (11), na Gardênia Azul, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A Polícia Civil investiga a suspeita de que o confronto tenha ocorrido entre equipes da própria corporação, que podem não ter se reconhecido durante uma ação na região.

O policial morto foi identificado como Glaucio Marcelo Fonseca da Silva. Ele chegou a receber socorro após ser baleado, mas não resistiu aos ferimentos.

Outros quatro policiais militares ficaram feridos. Três pertencem ao Bope e um integra o 18º BPM (Jacarepaguá). Todos foram encaminhados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca.

De acordo com a direção da unidade, dois agentes receberam alta médica, enquanto os outros dois passaram por cirurgias e apresentavam quadro de saúde estável.

Suspeita de fogo amigo

O confronto aconteceu na região do Beco do Saci, nas proximidades da Rua Guilherme Moreira.

Segundo informações preliminares da polícia, agentes do 18º BPM receberam uma denúncia sobre a presença de homens armados no local. Ao chegarem à região para verificar a situação, houve uma troca de tiros.

Testemunhas relataram que os policiais do batalhão de Jacarepaguá podem ter confundido integrantes do Bope com criminosos durante o patrulhamento.

A utilização de viaturas descaracterizadas também está entre os elementos que deverão ser considerados na apuração.

A hipótese de fogo amigo ainda não foi confirmada oficialmente. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) conduz as investigações para esclarecer como o confronto começou e de onde partiram os disparos.

Família perdeu dois policiais do Bope em menos de um ano

A morte do subtenente Glaucio Marcelo Fonseca da Silva representa mais uma perda para uma família que já havia enfrentado uma tragédia envolvendo a Polícia Militar.

Glaucio era irmão do terceiro-sargento Heber Carvalho, também integrante do Bope, morto durante a megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, em outubro de 2025.

A operação ficou marcada como a mais letal da história do estado, com mais de 120 mortos.

Heber Carvalho foi atingido durante os confrontos registrados naquela ação. Agora, quase um ano depois, seu irmão também morreu em uma ocorrência policial.

A ligação familiar entre os dois agentes acrescenta uma dimensão à tragédia deste domingo, que deixou cinco militares baleados na Gardênia Azul.

Glaucio Marcelo Fonseca da Silva era irmão do 3º sargento do Bope que morreu em confronto na megaoperação do Complexo da Penha há quase um ano / Foto: Reprodução

Viatura ficou perfurada por tiros

Imagens registradas após o confronto mostram uma viatura do 18º BPM com diversas marcas de disparos.

Vídeos feitos no local também revelam cápsulas de munição espalhadas pelo chão e manchas de sangue na área onde ocorreu o tiroteio.

A Rua Guilherme Moreira foi interditada para o trabalho dos investigadores. Por volta das 10h, equipes da perícia realizavam levantamentos para reunir vestígios que possam ajudar a esclarecer a dinâmica dos disparos.

Moradores da região reclamaram das condições da via, especialmente da iluminação pública e da conservação do asfalto.

Segundo relatos de moradores, o trecho apresenta pontos de pouca visibilidade durante a noite, o que aumenta a preocupação de quem precisa circular pela área.

Avenida Ayrton Senna teve interdições

O tiroteio também provocou alterações no trânsito da Zona Sudoeste.

Segundo o Centro de Operações Rio (COR), duas faixas da Avenida Ayrton Senna foram fechadas por volta das 6h30, na altura do Espaço Hall, no sentido Linha Amarela.

A medida foi adotada durante o atendimento da ocorrência e a movimentação das equipes policiais.

A Delegacia de Homicídios da Capital deverá analisar os elementos recolhidos no local e ouvir os envolvidos para esclarecer as circunstâncias do confronto.

Entre os pontos que precisam ser investigados estão a comunicação entre as equipes, a identificação dos policiais durante o patrulhamento e a sequência dos disparos.

Até a conclusão das investigações, a suspeita de que o subtenente do Bope tenha sido atingido por tiros disparados por outros policiais militares permanece como uma hipótese, sem confirmação definitiva.

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