Arcebispo de Aparecida diz que Evangelho não permite odiar adversários

Durante missa da padroeira do Brasil, dom Mário Antônio da Silva condenou a intolerância e defendeu o respeito às diferenças na presença de políticos

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Em meio à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, fez um apelo contra o ódio, a intolerância e a violência durante a missa solene em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, nesta segunda-feira (12), no interior de São Paulo.

Diante de centenas de fiéis reunidos no Santuário Nacional, o religioso afirmou que os ensinamentos cristãos não podem ser utilizados para justificar agressões contra pessoas que possuem opiniões diferentes.

“O evangelho não nos autoriza a odiar quem pensa diferente nem a matar os inimigos”, declarou o arcebispo durante a homilia.

Embora não tenha feito referências políticas explícitas, a mensagem foi transmitida em um momento de polarização eleitoral no país, marcado também pela circulação de informações falsas envolvendo a padroeira do Brasil.

Dom Mário defendeu a necessidade de superar divisões e ressaltou que o Evangelho “nos autoriza a construir pontes onde se abrem precipícios, e túneis onde se erguem muros”.

Arcebispo cobra coerência dos cristãos

Ao longo da homilia, que durou aproximadamente 17 minutos, o arcebispo destacou que a fé deve ser demonstrada por meio de atitudes concretas, especialmente no cuidado com pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Às vezes conhecemos muito a palavra, mas praticamos pouco”, afirmou.

O religioso também criticou comportamentos que considera incompatíveis com os ensinamentos de Jesus, como a indiferença diante da pobreza, da fome e do sofrimento humano.

“Sabemos que Jesus manda servir, mas queremos ser servidos”, acrescentou.

Em outro momento, chamou a atenção para o tratamento dispensado às pessoas pobres e condenou preconceitos e julgamentos que dificultam a solidariedade.

“Sabemos que Jesus manda amar os pobres, mas nem sempre queremos nos aproximar deles”, declarou.

Dom Mário também mencionou os impactos das guerras, da violência e da destruição ambiental. Ao citar o papa Leão XIV, defendeu “uma paz desarmada e desarmante”.

Alckmin participa de celebração

A missa solene começou às 9h e contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), acompanhado da esposa, Lu Alckmin, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT).

Também foram saudados durante a celebração a deputada federal Tabata Amaral (PSB), João Campos (PSB), Gilberto Kassab (PSD) e o prefeito de Aparecida, José Luiz Rodrigues.

Esta foi a primeira vez que dom Mário Antônio presidiu a missa do Dia da Padroeira como arcebispo de Aparecida. Ele assumiu a arquidiocese em maio, após a saída de dom Orlando Brandes.

A celebração teve como tema “Com Maria, em comunidade, conhecer e praticar a Palavra”, destacando a importância de transformar os ensinamentos religiosos em ações cotidianas.

Festa ocorre após polêmica eleitoral

As homenagens a Nossa Senhora Aparecida acontecem depois que uma informação falsa envolvendo Flávio Bolsonaro ganhou repercussão durante a campanha presidencial.

Publicações nas redes sociais afirmavam que o candidato do PL pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil. Não há registro de que Flávio tenha defendido essa medida, e o senador negou a intenção.

A controvérsia provocou disputas judiciais sobre a circulação das publicações, com decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal determinando a retirada e o restabelecimento de conteúdos nas plataformas digitais.

Sem mencionar diretamente o episódio durante a homilia, dom Mário ressaltou que Nossa Senhora Aparecida representa acolhimento e esperança para brasileiros de diferentes condições sociais.

“Justamente esta pequena imagem se tornou um grande sinal de esperança e ternura para milhões de brasileiros e brasileiras”, afirmou.

A programação religiosa começou à meia-noite, com a Vigília Mariana, e inclui missas, procissão e espetáculo pirotécnico.

A celebração marca os 309 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida por pescadores no rio Paraíba do Sul, em 1717. Reconhecida como padroeira do Brasil em 1930, a santa é homenageada nacionalmente em 12 de outubro, feriado desde 1980.

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