O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido por suas críticas ao presidente argentino Javier Milei, foi impedido de entrar na Argentina nesta segunda-feira (12) e recebeu uma ordem de deportação para o Brasil. A decisão foi comunicada logo após seu desembarque no Aeroparque, em Buenos Aires, e inclui a proibição de retornar ao território argentino pelos próximos cinco anos.
A medida foi determinada pela Direção Nacional de Migrações (DNM), órgão responsável pelo controle migratório no país. Segundo as autoridades, o jornalista não teria cumprido as condições necessárias para manter sua autorização de residência permanente, embora seu documento apresente validade até 2037.
Tomaz Jr. contesta a justificativa e suspeita que a decisão possa estar relacionada a conflitos políticos recentes com integrantes do partido de Milei. Até o momento, entretanto, não há comprovação de que a medida tenha sido motivada pelas posições políticas do brasileiro.
“Meu documento vai até 2037, mas eles alegam que, como não moro na Argentina desde 2022, não passei dias suficientes para manter o visto de residência permanente desde então. É como se eu tivesse abandonado o país”, relatou.
O jornalista afirma que, apesar de não residir mais permanentemente na Argentina, continua frequentando o país. Somente em 2026, segundo seu relato, passou 36 dias em território argentino.
Jornalista suspeita de motivação política
Rogério Tomaz Jr. acredita que o impedimento de entrada possa ter relação com desentendimentos ocorridos entre julho e agosto deste ano com integrantes do partido governista argentino. Em mensagem encaminhada a contatos no Brasil, ele associou a viagem ao trabalho de documentação da situação política e econômica do país.
“Vim para registrar imagens que mostrem ao Brasil e ao mundo a crítica situação econômica do país e a escalada autoritária deste governo de extrema direita”, escreveu.
O brasileiro está produzindo um livro sobre a gestão de Javier Milei, com lançamento previsto para fevereiro de 2027. A obra deverá abordar aspectos do governo argentino, que tem sido alvo de críticas do jornalista.
A suspeita de retaliação política, contudo, é uma interpretação apresentada pelo próprio profissional. A justificativa formal comunicada pelas autoridades argentinas está relacionada à situação de sua residência permanente.
Não foram apresentados elementos que comprovem uma ligação entre a decisão migratória e os embates políticos mencionados por Tomaz Jr.
Lei migratória prevê proibição de entrada
A decisão da Direção Nacional de Migrações foi fundamentada no artigo 62, inciso f, da Lei 25.871, alterada pelo Decreto 366/2025. A legislação estabelece hipóteses em que uma autorização de residência pode ser cancelada, independentemente do tempo de concessão ou da categoria migratória.
Entre as situações previstas está o descumprimento das condições estabelecidas para a concessão da residência, fundamento utilizado no procedimento envolvendo o brasileiro. Segundo a documentação apresentada ao jornalista, o cancelamento também resultou na proibição de ingresso na Argentina por cinco anos.
Antes de embarcar de volta ao Brasil, com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, Tomaz Jr. afirmou que pretende avaliar a possibilidade de contestar a medida. “Eu até posso recorrer dessa sanção, mas não posso mais recuperar o visto de residência permanente”, declarou.
Morador de Brasília, Rogério Tomaz Jr. já trabalhou como assessor parlamentar na Câmara dos Deputados e atualmente desenvolve atividades jornalísticas relacionadas à política argentina. A deportação interrompeu sua viagem a Buenos Aires e criou um novo obstáculo para o trabalho de pesquisa que realiza sobre o governo Milei.
O caso poderá ter novos desdobramentos caso o jornalista apresente recurso administrativo ou judicial contra a decisão. Por enquanto, permanece válida a determinação que impede seu retorno à Argentina pelos próximos cinco anos.







Deixe um comentário