Ruas quer rever déficit de R$ 14 bilhões e diz ter secretariado quase definido

Governador eleito pretende revisar orçamento de 2027 e entregar hospital em Nova Friburgo nos primeiros 100 dias

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O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), pretende começar a gestão com uma revisão das contas públicas e mudanças na proposta de orçamento estadual para 2027, que prevê um déficit de aproximadamente R$ 14 bilhões.

O político também revelou que já tem praticamente definida a composição do futuro secretariado, embora ainda não tenha formalizado os convites e nem revelado nomes. As declarações foram feitas na noite de sábado (10), durante sua primeira entrevista após a confirmação oficial da vitória eleitoral.

Ruas participou ao vivo do RJ2, da TV Globo, pouco depois de o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) concluir a retotalização dos votos. Além de apresentar suas prioridades para o equilíbrio fiscal, o governador eleito reafirmou compromissos nas áreas de segurança pública, saúde e prevenção de desastres naturais.

Entre as promessas estão a convocação de aprovados em concursos da Polícia Militar, a ampliação do efetivo da corporação e a entrega do Hospital do Câncer e do Coração de Nova Friburgo nos primeiros 100 dias de governo.

Orçamento terá revisão

Presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas afirmou que pretende reunir os chefes dos poderes estaduais para discutir alterações na proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027 antes de sua aprovação.

O projeto encaminhado ao Legislativo prevê despesas superiores às receitas, com um rombo estimado em aproximadamente R$ 14 bilhões. Para Ruas, a proposta precisa ser revista para reduzir o desequilíbrio fiscal.

“Não concordo que a gente aprove essa peça da maneira que se encontra, com mais de R$ 13 bilhões em déficit. Nós vamos ter uma tarefa nos próximos meses para discutir e adequar as despesas no Estado do Rio de Janeiro”, afirmou.

O governador eleito também defendeu a criação de um teto de gastos para limitar o crescimento das despesas públicas à evolução da arrecadação estadual.

Segundo ele, a proposta já foi apresentada à Alerj e busca impedir que os gastos dos poderes avancem em ritmo superior ao crescimento das receitas.

“O que a gente viu acontecer aqui no Estado do Rio de Janeiro nos últimos anos? A gente volta a cinco anos atrás, quando tínhamos o orçamento equilibrado, quando as despesas cabiam dentro da receita, e não o contrário, como estamos vendo hoje”, declarou.

Ruas afirmou que a arrecadação cresceu 21% nesse período, mas que as despesas de dois poderes aumentaram em proporção superior. Durante a entrevista, ele não especificou quais seriam esses poderes.

Questionado sobre o prazo para promover as mudanças, argumentou que a votação do orçamento costuma ocorrer em dezembro, o que permitiria negociar alterações nas comissões e no plenário da Assembleia.

O governador eleito também defendeu a aprovação de projetos relacionados à regularização de contribuintes inadimplentes e à transação tributária, mecanismo que permite negociar dívidas com o poder público.

Uma das propostas recebeu mais de 40 emendas parlamentares, atualmente em análise nas comissões. A expectativa apresentada por Ruas é que o texto volte ao plenário ainda em outubro.

Segurança terá reforço policial

Na segurança pública, principal bandeira de sua campanha, Douglas Ruas reafirmou o compromisso de ampliar o efetivo da Polícia Militar durante os próximos quatro anos.

Segundo o governador eleito, a corporação possui atualmente pouco mais de 44 mil policiais, enquanto a legislação estadual prevê um contingente de 60 mil agentes.

A diferença superior a 15 mil profissionais deverá ser reduzida por meio da convocação de candidatos já aprovados e da realização de novos concursos públicos.

“O meu compromisso com a população do Estado do Rio de Janeiro é convocar todos os excedentes já aprovados, estabelecer um cronograma para a realização de novos concursos, para que a gente possa perseguir e alcançar esse efetivo que já está previsto na lei nos próximos quatro anos”, afirmou.

Ruas estimou que a recomposição do efetivo custará aproximadamente R$ 1,6 bilhão, valor que, segundo seus cálculos, representa cerca de 1% do orçamento estadual.

A promessa de aumentar o número de policiais ocorre justamente em um momento de dificuldades financeiras, o que exigirá ajustes para acomodar as novas despesas.

“Se a segurança pública é uma prioridade e a população votou em mim confiando nessa proposta, nós vamos buscar o ajuste que for necessário para cumprir aquilo que a gente pactuou com a população do Estado do Rio de Janeiro”, declarou.

O governador eleito não detalhou quantos policiais serão convocados inicialmente nem apresentou um calendário completo para os novos concursos.

Hospital será entregue em 100 dias

Na saúde, Ruas estabeleceu como uma das primeiras metas de governo a entrega do Hospital do Câncer e do Coração de Nova Friburgo, na Região Serrana.

A unidade, segundo ele, está com as obras próximas da conclusão, mas ainda depende da contratação de uma organização responsável pela administração para começar a funcionar.

“O Hospital do Câncer e do Coração de Nova Friburgo, o meu compromisso é entregar nos primeiros 100 dias de gestão. É uma obra que está muito pertinho de acabar”, afirmou.

O governador eleito também reiterou a intenção de implantar centros integrados regionais de saúde para ampliar o acesso da população a atendimentos especializados.

Para acelerar a implantação dessas unidades, pretende estabelecer parcerias com prefeituras e aproveitar imóveis públicos já existentes.

A estratégia, segundo Ruas, permitirá expandir os serviços sem a necessidade de construir novos prédios em todos os municípios contemplados.

Ele argumentou que as propostas para saúde e educação foram elaboradas considerando os recursos previstos nos percentuais mínimos de aplicação obrigatória estabelecidos pela Constituição.

Áreas de risco preocupam

Outro tema abordado durante a entrevista foi a situação das famílias que vivem em regiões ameaçadas por deslizamentos, enchentes e outros desastres naturais.

Um levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), apresentado durante o programa, aponta que pelo menos 860 mil pessoas vivem em áreas de risco em apenas 15 dos 92 municípios fluminenses mapeados.

Quando consideradas outras localidades, a estimativa pode ultrapassar um milhão de moradores.

Petrópolis, na Região Serrana, foi citada como exemplo da dificuldade enfrentada pelo poder público. Segundo os dados apresentados, mais de 70 mil pessoas vivem em áreas vulneráveis na cidade.

Ruas defendeu a realização de obras de contenção de encostas, mas reconheceu que algumas situações exigirão a retirada definitiva dos moradores.

“Existem casos em que não é uma obra de encosta, de contenção, que vai resolver. É necessário, sim, dialogar com a população, explicar que aquela área é uma área de risco e que não há uma obra que possa resolver”, afirmou.

O governador eleito defendeu investimentos em habitação de interesse social para garantir alternativas de moradia às famílias que precisarem deixar essas regiões.

Também destacou a importância da manutenção permanente do programa Limpa Rio, responsável por ações de limpeza e desassoreamento de rios e canais.

Segundo ele, a preparação para o próximo período de chuvas será discutida durante a transição, incluindo a possibilidade de novas contratações para reforçar a capacidade de resposta do estado às emergências.

Secretariado está quase definido

Ao falar sobre a formação do futuro governo, Douglas Ruas revelou que já tem praticamente todos os nomes do secretariado definidos, mas ainda não realizou os convites oficiais.

Segundo ele, as conversas formais com os escolhidos deverão começar neste domingo (11), após a confirmação de sua vitória pelo Tribunal Regional Eleitoral.

“Na minha cabeça, o time está quase todo pronto, mas eu não fiz o convite a nenhuma das pessoas ainda formalmente. Então, eu pretendo fazer a partir de amanhã, porque de fato saiu a retotalização hoje no Tribunal Regional Eleitoral”, declarou.

Questionado sobre a possibilidade de indicações políticas comprometerem a administração estadual, especialmente em áreas consideradas estratégicas, Ruas afirmou que pretende priorizar profissionais com experiência e conhecimento técnico.

“Por onde eu passei no serviço público, eu sempre montei equipes técnicas, pessoas que têm conhecimento e que possam verdadeiramente entregar aquilo que a população espera”, afirmou.

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