Cocaína em Bali: relembre outros casos de brasileiros condenados e até executados por tráfico na Indonésia

Marco Archer e Rodrigo Gularte, fuzilados em 2015 após condenações por tráfico de drogas

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A prisão de uma brasileira com 3,6 quilos de cocaína na Indonésia, na última terça-feira (6), está longe de ser uma novidade. O episódio se soma a uma série de casos envolvendo brasileiros detidos por crimes relacionados a drogas no país asiático, conhecido por aplicar algumas das punições mais rigorosas do mundo. Entre os antecedentes mais emblemáticos estão os de Marco Archer e Rodrigo Gularte, executados por fuzilamento em 2015.

A brasileira, de 36 anos, ainda não teve a identidade divulgada. Ela foi presa ao desembarcar na ilha turística de Bali com cocaína líquida escondida em sete frascos de xampu e outros produtos de higiene pessoal. Segundo as autoridades indonésias, a apreensão está entre as maiores de cocaína líquida já registradas na ilha.

Durante o interrogatório, a mulher relatou que teria sido contratada por outro brasileiro para transportar a droga até Bali. Pelo serviço, receberia US$ 50 mil, aproximadamente R$ 249 mil. A encomenda deveria ser entregue a uma pessoa que estaria na ilha.

Caso seja condenada, a brasileira poderá receber pena de prisão perpétua. A legislação indonésia também prevê a pena de morte para determinados crimes relacionados ao tráfico de entorpecentes.

Marco Archer foi o primeiro brasileiro executado

O episódio mais conhecido envolve Marco Archer Cardoso Moreira, apelidado de Curumim, preso em 2004 após tentar entrar na Indonésia com aproximadamente 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa-delta desmontada.

Condenado à morte, ele passou mais de dez anos preso enquanto aguardava o cumprimento da sentença. Apesar dos pedidos de clemência e das iniciativas diplomáticas do governo brasileiro, foi executado por fuzilamento em 18 de janeiro de 2015, na ilha de Nusakambangan.

Poucos meses depois, Rodrigo Muxfeldt Gularte também foi executado por tráfico de cocaína. A morte dos dois brasileiros provocou repercussão internacional e críticas à aplicação da pena capital no país.

Relembre outros brasileiros presos na Indonésia

  • Marco Archer Cardoso Moreira, o Curumim: preso em 2004, no aeroporto de Jacarta, com cerca de 13 quilos de cocaína escondidos em uma asa-delta desmontada. Foi condenado à morte e executado por fuzilamento em 18 de janeiro de 2015, tornando-se o primeiro brasileiro executado no exterior de que se tem registro.
  • Rodrigo Muxfeldt Gularte: detido em 2004 ao tentar entrar na Indonésia com aproximadamente seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe. Diagnosticado com esquizofrenia paranoide, teve pedidos humanitários apresentados em seu favor, mas foi executado em 29 de abril de 2015.
  • Manuela Vitória de Araújo Farias: presa em 31 de dezembro de 2022, no aeroporto de Bali, com cocaína na bagagem. A brasileira alegou ter sido aliciada por uma organização criminosa. Em junho de 2023, foi condenada a 11 anos de prisão, escapando da pena de morte.
  • Yuri Bezerra da Costa: preso aos 25 anos no aeroporto de Bali, acusado de transportar mais de três quilos de cocaína distribuídos entre uma mochila e uma mala. Segundo a investigação, receberia aproximadamente R$ 135 mil pela entrega da droga, após um adiantamento de US$ 500. O caso também envolveu a possibilidade de condenação à morte.
  • Rogério Paez, o Rogerinho Rock in Roll: surfista e empresário fluminense preso em Bali com 3,8 gramas de haxixe. Passou oito anos em presídios indonésios, onde conviveu por aproximadamente cinco anos com Marco Archer. Recuperou a liberdade em 9 de novembro de 2011.

País mantém pena de morte para tráfico

A Indonésia adota uma política rigorosa de combate às drogas, com punições que variam conforme a natureza da substância, a quantidade apreendida e as circunstâncias do crime.

A legislação prevê longas penas de prisão, prisão perpétua e, em determinados casos, pena de morte. Estrangeiros também estão sujeitos às mesmas regras.

Apesar disso, o país não realiza execuções desde 2016, quando um indonésio e três nigerianos condenados por crimes relacionados ao tráfico foram fuzilados. A interrupção das execuções, entretanto, não representa a extinção da pena capital.

No caso da brasileira presa na última terça-feira, as autoridades ainda investigam a origem da cocaína, a participação de possíveis intermediários e quem receberia a encomenda em Bali.

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