Morre Gloria Steinem, jornalista ícone do feminismo, aos 92 anos

Escritora e ativista estadunidense ajudou a projetar a luta pela igualdade de gênero a partir dos anos 1960 e permaneceu atuante até o fim da vida

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A jornalista, escritora e ativista estadunidense Gloria Steinem, uma das figuras mais influentes da história do movimento feminista, morreu nesta quarta-feira (2), aos 92 anos. A informação foi divulgada nas redes sociais de sua fundação, que não informou a causa da morte.

Steinem morreu em sua casa, em Nova York, acompanhada por pessoas próximas. Ao anunciar a morte, a Fundação Gloria Steinem destacou a trajetória da ativista e sua dedicação, durante décadas, à defesa da igualdade.

“Ontem, Gloria Steinem morreu pacificamente em sua casa, em Nova York, cercada por algumas das muitas pessoas que a amavam. Os quase cem anos de Gloria na Terra foram anos bem vividos, e ela continuou trabalhando pela igualdade até o fim”, diz a publicação.

Fundação destaca legado de Steinem

Na homenagem, a fundação também ressaltou a capacidade de Steinem de ouvir e estabelecer vínculos com pessoas ao longo de sua trajetória como jornalista e ativista.

“O maior dom de Gloria era sua capacidade de ouvir os outros, de fazer com que as pessoas se sentissem vistas e ouvidas. Suas palavras, suas ações e seu exemplo deram às pessoas permissão para serem quem realmente eram. Gloria viveu fiel ao seu espírito independente, sempre com curiosidade e um grande senso de humor”, segue o texto.

A própria ativista havia deixado uma orientação sobre como gostaria de ser homenageada após sua morte.

“Em vez de flores, Gloria pediu que aqueles que desejarem homenageá-la com um presente façam uma doação à Fundação Gloria.”

Jornalismo ajudou a impulsionar movimento feminista

Gloria Steinem tornou-se uma das principais representantes da chamada segunda onda do feminismo, movimento que ganhou força especialmente a partir dos anos 1960 e ampliou o debate público sobre igualdade entre homens e mulheres, direitos reprodutivos e outras questões sociais e políticas.

O jornalismo teve papel central nessa trajetória. Steinem utilizou reportagens, artigos e ensaios para colocar em discussão assuntos que ainda enfrentavam forte resistência na sociedade estadunidense — e suas ideias ganharam o mundo.

No início da década de 1970, ela ajudou a fundar a revista Ms., que se transformaria em uma publicação de referência para o movimento feminista nos Estados Unidos. A revista teve publicação mensal entre 1972 e 1987.

Nascida em Toledo, no estado de Ohio, em 1934, Steinem começou sua trajetória profissional no jornalismo e ganhou projeção também com trabalhos investigativos. Com o passar das décadas, sua atuação ultrapassou as redações e a transformou em uma das vozes mais reconhecidas internacionalmente na defesa dos direitos das mulheres.

Livros e cinema levaram trajetória a novas gerações

Além da carreira jornalística e do ativismo político e social, Steinem construiu uma obra como escritora. Entre seus livros está “Minha Vida na Estrada”, no qual relata experiências acumuladas em viagens e encontros realizados durante décadas de atuação como porta-voz do movimento feminista.

Sua trajetória também chegou ao cinema. A cineasta Julie Taymor dirigiu “As Vidas de Gloria” (“The Glorias”), produção inspirada em diferentes períodos da vida da ativista.

Julianne Moore interpretou Steinem em uma das fases retratadas pelo longa, cujo elenco também contou com Alicia Vikander e Janelle Monáe.

Ao longo de mais de seis décadas de atuação pública, Gloria Steinem tornou-se referência para diferentes gerações de mulheres e uma das personagens centrais na transformação do feminismo em um movimento de alcance político, social e cultural internacional.

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