Moraes trocou celular, chip e número durante investigação da PF sobre o Banco Master

Mudança ocorreu em fevereiro, quando investigadores já analisavam aparelhos de Daniel Vorcaro e haviam identificado mensagens trocadas com o ministro do STF

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), trocou de celular, chip e número de telefone na segunda semana de fevereiro deste ano, quando a Polícia Federal estava nos estágios iniciais da investigação sobre o Banco Master. Naquele momento, os investigadores já examinavam os dois aparelhos apreendidos com Daniel Vorcaro durante a primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025.

O número antigo era utilizado por Moraes pelo menos desde 2022 e foi por meio dele que ocorreram contatos entre o ministro e Vorcaro posteriormente identificados pela PF. As conversas passaram a integrar o material investigativo e estão agora sob análise no Supremo.

Os investigadores, entretanto, não conseguiram recuperar as mensagens que teriam sido enviadas por Moraes ao banqueiro. Segundo um delegado consultado pelo portal UOL, seria necessário analisar o aparelho utilizado pelo próprio ministro para tentar localizar esse conteúdo.

Mensagens eram enviadas como imagens temporárias

A dificuldade para recuperar as conversas está relacionada ao método utilizado nas comunicações. Segundo a investigação, Moraes e Vorcaro escreviam textos no bloco de notas do celular, faziam capturas da tela e encaminhavam as imagens pelo WhatsApp no modo de visualização única.

A PF encontrou 52 mensagens escritas por Vorcaro dessa maneira. Para reconstruir os textos, os investigadores cruzaram registros do envio pelo WhatsApp com informações do sistema do iPhone sobre os horários de abertura e fechamento dos aplicativos.

A análise permitiu identificar os momentos em que Vorcaro fazia as capturas de tela e, logo depois, acessava a conversa com Moraes para encaminhar a imagem. Para tentar recuperar as mensagens atribuídas ao ministro, seria necessário repetir o procedimento no aparelho usado por ele.

Procurado por meio da assessoria do STF, Alexandre de Moraes não se manifestou.

Contato foi repassado por Fábio Faria

Daniel Vorcaro recebeu o contato de Moraes no WhatsApp do ex-ministro das Comunicações Fábio Faria em 26 de dezembro de 2023. O banqueiro salvou o número como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

As mensagens recuperadas pela PF estão concentradas entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para viajar aos Emirados Árabes Unidos.

Nos primeiros contatos encontrados nesse intervalo, Vorcaro tentava marcar um encontro pessoal com Moraes. O ministro estava em Madri, na Espanha, e retornaria ao Brasil dias depois.

“Boa, vou mudar minha ida a abu dhabi pra conseguir te ver, se voce puder na terça feita!”, disse Vorcaro em 30 de outubro de 2025.

Na mesma mensagem, o banqueiro demonstrou preocupação com as investigações envolvendo o Banco Master e mencionou autoridades do Banco Central, da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.

“O problema agora é que tive informações informais e em confidencia de turma do banco central, que G e os diretores estao na pressao maxima de novo pra uma medida, pois o bacen esta sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farao algo contra mim. É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco”, escreveu.

De acordo com a interpretação da PF, “G” seria uma referência ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Andrei seria o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, enquanto Paulo seria o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

PF aponta indícios de dois encontros

As mensagens também levantaram indícios de dois encontros entre Vorcaro e Moraes nos dias que antecederam a prisão do banqueiro. Um deles teria ocorrido em 14 de novembro de 2025, na residência de Vorcaro.

“Vou chegar 14:30 ok! La em casa marcado”, escreveu o banqueiro às 10h03 daquele dia.

Horas depois, Vorcaro encaminhou nova mensagem ao ministro.

“Estamos juntos sempre. Voce sabe que tenho gratidao da minha vida a você. Toda minha familia, funcionarios, parceiros, amigos que dependem de nos tem um divida de vida contigo e com sua familia. Muito obrigado por tudo”.

No dia seguinte, Vorcaro voltou a procurar Moraes e perguntou se eles poderiam se encontrar “amanha rapidamente algum horário”. As mensagens seguintes mostram preocupação do banqueiro com possíveis medidas da PF e do Ministério Público Federal.

Em 16 de novembro, Vorcaro embarcou em um avião para um encontro que, segundo os indícios reunidos na investigação, teria sido com Moraes. Após pousar às 14h20, escreveu que “irei direto praí”.

Depois do suposto encontro, Vorcaro voltou a mencionar o diretor-geral da Polícia Federal.

“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”.

Na sequência, perguntou: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã”.

A referência, segundo o contexto das mensagens, seria à operação da Polícia Federal que resultaria na prisão de Vorcaro no dia seguinte.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo