Câmara aprova Plano Nacional de Cultura para os próximos 10 anos

Proposta estabelece diretrizes para políticas culturais, prevê financiamento descentralizado e medidas sobre direitos autorais e inteligência artificial e agora segue para o Senado

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (1º) o projeto que estabelece o Plano Nacional de Cultura para os próximos dez anos, informa a Folha de S. Paulo. Enviada ao Congresso pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a proposta define as principais diretrizes que deverão orientar as políticas públicas do setor durante a próxima década. O texto segue agora para análise do Senado.

A votação ocorreu de forma simbólica, sem o registro nominal dos votos. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, acompanhou a análise da proposta no plenário da Câmara. Às vésperas das eleições, deputados e senadores cumprem um calendário de esforço concentrado no Congresso.

O novo plano estabelece as bases para a atuação do Ministério da Cultura e prevê a participação de agentes culturais e integrantes dos comitês de cultura no acompanhamento de demandas e das políticas desenvolvidas no setor.

Oito eixos para a política cultural

Enviado por Lula ao Congresso em novembro de 2025, o Plano Nacional de Cultura foi relatado na Câmara pelo líder do PT, Pedro Uczai (SC). O parecer preservou os oito eixos originalmente apresentados pelo governo.

Entre as diretrizes estão a consolidação do Sistema Nacional de Cultura, com financiamento descentralizado, e a proteção dos direitos autorais no ambiente digital, inclusive diante do avanço do uso da inteligência artificial.

O texto também prevê medidas destinadas à formalização de empreendimentos e trabalhadores do setor, “com a garantia de direitos trabalhistas e previdenciários”. Outra prioridade é diminuir as desigualdades regionais no acesso aos recursos destinados à cultura, com atenção especial à Amazônia.

A ampliação da presença da cultura nos currículos escolares também aparece entre as ações estratégicas previstas para os próximos dez anos.

Lula defendeu política permanente para o setor

Ao encaminhar a proposta ao Congresso no ano passado, Lula afirmou que o objetivo era criar mecanismos capazes de garantir continuidade às políticas culturais independentemente da orientação ideológica dos futuros governos. Na ocasião, o presidente fez críticas indiretas a administrações anteriores e defendeu uma “guerrilha democrática cultural”.

“Aí é que está a arte de bem governar. É aceitar que a sociedade diga o que é bom fazer, o que o governo não sabe fazer e o que o governo não pode fazer. E o que nós estamos fazendo hoje, mandando esta lei para o Congresso Nacional, é dizendo para o meu líder no Senado, Jaques Wagner, que, a partir de amanhã, vocês terão que transformar definitivamente a nossa política no país para que nenhum partido, de qualquer matriz ideológica que seja, possa um dia outra vez achar que pode proibir a cultura desse país”, disse.

Jaques Wagner (PT-BA), citado pelo presidente naquela ocasião, deixou a liderança do governo no Senado em junho deste ano, após ser alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada à investigação sobre o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro.

Metas deverão ser definidas após sanção

Caso o texto também seja aprovado pelo Senado e sancionado, o Ministério da Cultura terá até 90 dias, contados da publicação da lei, para formular as metas do plano em conjunto com estados e entidades da sociedade civil.

A pasta ficará responsável ainda pela implementação e pelo monitoramento periódico das ações previstas para a próxima década. A proposta determina a criação de um Comitê de Governança do Plano Nacional de Cultura, encarregado de coordenar a iniciativa.

O governo também deverá promover pelo menos duas conferências nacionais para discutir as medidas e avaliar a execução das políticas culturais.

“O processo de implementação das ações estratégicas e das iniciativas contará com rotinas regulares de monitoramento, de acompanhamento e de avaliação e incorporará mecanismos de participação dos conselhos e dos setores culturais, observada a possibilidade de ajustes contínuos, de modo a garantir a sua perenidade”, diz o documento.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo