Disputa no STF se agrava e aliados de Moraes acusam Mendonça de buscar ‘feito político’

Ministros veem componente eleitoral na divulgação de mensagens de Vorcaro, enquanto aliados de Mendonça dizem que relator agiu em nome da transparência e sem saber que Moraes era destinatário

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A disputa interna no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro abriu uma nova frente de tensão entre André Mendonça e ministros próximos a Alexandre de Moraes, informa a colunista Bela Megale, do jornal O Globo. Há cerca de um mês das eleições, integrantes da Corte passaram a questionar, nos bastidores, as motivações das decisões tomadas pelo relator do caso Master.

Magistrados alinhados a Moraes sustentam reservadamente que a iniciativa de Mendonça teria como pano de fundo “um feito político”. Na avaliação desse grupo, as providências adotadas pelo ministro na semana passada teriam potencial para produzir repercussões para além do processo e influenciar o ambiente político em plena campanha eleitoral.

Aliados de Moraes veem impacto eleitoral

A interpretação entre esses ministros é de que a exposição das mensagens envolvendo Moraes atinge diretamente a imagem de um dos principais alvos do bolsonarismo no Supremo. Com isso, avaliam, candidatos que fazem das críticas à Corte uma de suas bandeiras eleitorais acabariam beneficiados pelo desgaste do magistrado.

Nos bastidores, porém, integrantes desse grupo reconhecem que o episódio criou uma situação, no mínimo, “constrangedora” para Moraes.

A avaliação é de que a principal resposta do ministro está no próprio andamento das investigações. Os magistrados destacam que Vorcaro foi preso e que as apurações continuam avançando, argumento utilizado para afastar a interpretação de que eventuais contatos teriam interferido no trabalho das autoridades.

Mendonça rejeita motivação política

Do outro lado da disputa, Mendonça rejeita diante de aliados a acusação de que tenha conduzido o episódio com objetivos eleitorais ou para produzir um fato político.

Segundo integrantes de seu gabinete, ao determinar que a Polícia Federal identificasse quem recebia as mensagens enviadas por Vorcaro, o ministro não sabia que o destinatário apontado posteriormente seria Alexandre de Moraes.

A descoberta teria mudado a dimensão institucional do caso. Após tomar conhecimento da identidade do destinatário, Mendonça procurou o presidente do STF, Edson Fachin, para discutir o prosseguimento dos trâmites relacionados ao episódio.

A versão apresentada por interlocutores do relator, portanto, é de que a apuração não teve Moraes como alvo previamente definido e chegou ao nome do ministro a partir do trabalho realizado pela Polícia Federal.

Defesa de sessão pública no Supremo

Aliados de Mendonça também afirmam que a atuação do ministro foi orientada pela necessidade de dar transparência a um episódio considerado de grande interesse público.

Como demonstração dessa posição, citam a defesa feita pelo ministro para que a discussão sobre o caso seja levada ao plenário do Supremo, em uma sessão “pública, transparente e presencial”.

A divergência amplia a tensão dentro da Corte em um momento especialmente sensível. De um lado, ministros próximos a Moraes enxergam consequências políticas nas decisões de Mendonça. Do outro, interlocutores do relator sustentam que as medidas seguiram o curso das investigações e que tornar o debate público é a melhor maneira de dar transparência ao episódio.

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