Nova facção surge em presídios do Rio e já reúne pelo menos 60 detentos

A dissidência do Povo de Israel, chamada Primeiro Comando do Golpe, provoca conflitos em unidades prisionais e é monitorada pela Secretaria de Polícia Penal

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O sistema penitenciário do Rio de Janeiro enfrenta a possibilidade do surgimento de uma nova facção criminosa. Batizado de Primeiro Comando do Golpe, o grupo teria surgido a partir de uma dissidência do Povo de Israel (PVI) após a morte do líder da organização, Avelino Gonçalves Lima, de 54 anos, no ano passado.

A nova organização já estaria presente em diferentes unidades prisionais do estado. Segundo um servidor da Secretaria estadual de Polícia Penal (Seppen), pelo menos 60 detentos foram identificados como integrantes do grupo, que passou a disputar espaço com membros do PVI.

A movimentação provocou episódios de violência dentro dos presídios, incluindo ameaças de morte, agressões e incêndio em uma galeria. Diante do cenário, a área de inteligência da Seppen passou a acompanhar os detentos apontados como integrantes da dissidência e a adotar medidas de segurança, como isolamento.

Disputa provoca tensão entre detentos

Os primeiros registros oficiais sobre os conflitos aparecem em documentos do Conselho Penitenciário do Estado do Rio (Cperj). Durante uma vistoria realizada em julho no Presídio Evaristo de Moraes, conhecido como Galpão da Quinta, em São Cristóvão, conselheiros ouviram relatos dos próprios presos sobre a disputa entre os dois grupos.

Um dos detentos afirmou ter sofrido fraturas em três costelas durante uma briga. Outros internos relataram espancamentos, ameaças e temor de serem mortos. O conselho classificou a situação como crítica e alertou para o risco de novos episódios de violência.

A preocupação também está relacionada à superlotação. A unidade, que possui capacidade para 1.497 pessoas, abrigava 3.244 internos, número equivalente a 217% da capacidade prevista. A Seppen negou os relatos de agressões, mas informou que adotava providências para enfrentar a superlotação e que um relatório sobre a nova organização havia sido encaminhado aos setores de inteligência da Segurança Pública.

Incêndio levou presos ao isolamento

No Presídio Lemos de Brito, no Complexo de Gericinó, integrantes que seriam ligados ao Primeiro Comando do Golpe teriam ateado fogo em uma galeria no dia 23 de julho. Segundo o relato de um servidor, a ação teria ocorrido durante uma tentativa de assumir o controle do espaço.

O funcionário afirmou que os presos inicialmente tentaram provocar uma situação de emergência médica para conseguir ocupar a galeria. Após a estratégia não funcionar, o grupo teria iniciado o incêndio, provocando uma situação de caos na unidade.

Após o episódio, Thiago Faustino Apolinário dos Santos, conhecido como TH, e outros cinco detentos foram isolados e passaram a cumprir pena em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

Povo de Israel surgiu dentro das prisões

O Povo de Israel é uma organização que surgiu no sistema penitenciário fluminense e, diferentemente de outras facções, não mantém territórios conhecidos fora das unidades prisionais. O grupo reúne detentos considerados “neutros”, que não fazem parte do Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro ou Amigos dos Amigos.

A organização também é associada a crimes praticados por telefone e à comercialização de drogas dentro dos presídios. No início de agosto, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) prendeu um policial penal suspeito de facilitar a entrada de celulares e entorpecentes para integrantes do PVI.

Com a dissidência e a expansão do Primeiro Comando do Golpe, autoridades penitenciárias passaram a monitorar a possibilidade de que o novo grupo se consolide como uma quinta facção criminosa no Rio. A disputa, segundo os relatos reunidos pelo Cperj, já ultrapassou uma única unidade e representa um novo foco de tensão no sistema prisional fluminense.

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