Filha de presidente do Paraguai usa camiseta com frase ‘Taxem os pobres’ após renúncia do pai e provoca revolta

Estudante da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, Costanza Peña publicou imagem em meio à crise bancária que ameaça derrubar Santiago Peña, político de direita admirado por setores bolsonaristas no Brasil

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Uma fotografia publicada nas redes sociais por Costanza Peña, filha do presidente do Paraguai, Santiago Peña, provocou uma onda de críticas nesta sexta-feira (6). Na imagem, a jovem aparece usando uma camiseta com a frase em inglês “Tax the poor”, que significa “Taxem os pobres”. A publicação ganhou repercussão justamente quando o pai enfrenta uma grave crise política e financeira, que o levou a apresentar sua renúncia à Presidência na quinta-feira (5).

Estudante da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, Costanza compartilhou a fotografia em seu perfil privado, mas a imagem rapidamente passou a circular nas redes sociais e na imprensa paraguaia. Internautas criticaram a mensagem estampada na roupa, considerada insensível diante das dificuldades enfrentadas por milhões de pessoas que ficaram sem acesso às próprias economias após o colapso do Ueno Bank.

A repercussão também alcançou as redes sociais da universidade americana, onde usuários publicaram mensagens contra a estudante. Não há informações confirmadas sobre a intenção de Costanza ao escolher a camiseta ou sobre eventual manifestação dela a respeito das críticas.

Renúncia de Peña não encerra crise política

A polêmica envolvendo a filha do presidente ocorreu poucas horas depois de Santiago Peña anunciar que deixaria o cargo, pressionado pelo escândalo financeiro e pela abertura de um processo de impeachment aprovado por unanimidade na Câmara dos Deputados.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente afirmou que decidiu apresentar sua renúncia pensando na estabilidade do Paraguai, na paz social e na preservação das instituições democráticas. Também pediu desculpas à população e defendeu a devolução dos recursos aos clientes prejudicados pelo banco.

O Congresso, entretanto, não concluiu a análise da renúncia. Parlamentares governistas abandonaram a sessão, provocando a falta de quórum e impedindo a votação. Com isso, Peña permaneceu formalmente no cargo, enquanto o Senado deu continuidade ao processo de impeachment nesta sexta-feira (6).

Para destituí-lo, são necessários 30 votos entre os 45 senadores. Caso seja afastado, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país.

Presidente elogiado por bolsonaristas enfrenta escândalo bancário

A crise também contrasta com a imagem de prosperidade econômica que o governo de Santiago Peña projetava entre setores da direita brasileira. Integrante do conservador Partido Colorado, o presidente recebeu elogios de Flávio Bolsonaro e do empresário Luciano Hang, que destacavam a modernização do Estado, a baixa tributação e as oportunidades de negócios no Paraguai.

Nos últimos meses, brasileiros identificados com o bolsonarismo passaram a procurar o país vizinho como alternativa para viver e empreender, atraídos pela promessa de impostos menores, oportunidades econômicas e melhor qualidade de vida. A procura aumentou após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, embora o movimento migratório também tenha motivações econômicas e familiares.

O cenário mudou com a crise do Ueno Bank, instituição financeira com aproximadamente três milhões de clientes. O Banco Central paraguaio iniciou um procedimento de resolução do banco após identificar graves problemas de solvência, deixando correntistas temporariamente sem acesso aos recursos.

Peña foi acionista do grupo controlador da instituição até março de 2025. A oposição questiona possíveis conflitos de interesse e a aplicação de recursos públicos no banco, incluindo dinheiro da previdência social. O presidente nega irregularidades e promete colaborar com as investigações.

A combinação entre o escândalo financeiro, a ameaça de impeachment e a fotografia da filha do presidente ampliou a repercussão da crise, atingindo um governo que vinha sendo apresentado por parte da direita brasileira como referência de desenvolvimento econômico.

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