Federico Miguel Vázquez Villasanti, de 36 anos, fundador e principal acionista do Ueno Bank, construiu sua trajetória no setor financeiro a partir de empresas herdadas da família e se tornou um dos empresários responsáveis pela expansão das fintechs no Paraguai. Apelidado de o “Vorcaro do Paraguai”, em referência ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ele está preso preventivamente em meio às investigações sobre suspeitas de irregularidades na instituição financeira.
A crise envolvendo o Ueno Bank ganhou dimensão política e foi o estopim para a renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, nesta quinta-feira (5). A instituição teve suas agências fechadas por determinação do Banco Central na terça-feira (3), após o avanço das investigações.
Vázquez é acusado de crimes contra o patrimônio de cidadãos paraguaios e de instituições públicas e privadas. As apurações identificaram operações de crédito consideradas suspeitas envolvendo empresas ligadas ao próprio empresário. A defesa afirma que ele está à disposição da Justiça e solicita sua transferência para prisão domiciliar.
Carreira começou em empresa fundada pelo pai
Segundo as informações disponíveis em seu perfil no LinkedIn, Vázquez estudou marketing na Universidade de Miami e fez especialização em finanças pela Incae Business School, instituição com unidades na América Central e nos Estados Unidos. Ele também afirma ter participado de um programa de formação para diretores na IAE Business School, na Argentina.
Sua primeira experiência profissional foi na Credicentro, financeira fundada pelo pai em 1984. De acordo com o perfil profissional, Vázquez ingressou na empresa em 2008, aos 18 anos, e assumiu o cargo de CEO.
A trajetória da Credicentro está ligada à formação do Grupo Vázquez, conglomerado empresarial da família que reúne negócios em diferentes setores e está por trás da estrutura societária do Ueno Bank. Vázquez também ocupa a presidência do grupo.
Grupo familiar reúne mais de 20 empresas
De acordo com o histórico divulgado pela própria companhia, o Grupo Vázquez começou em 1945, quando o avô do empresário abriu uma oficina mecânica em Assunção, capital paraguaia.
Ao longo das décadas, o negócio incorporou outras empresas ligadas à família e ampliou sua atuação para áreas como agronegócio, setor automotivo e mercado financeiro.
Atualmente, segundo o site corporativo, o conglomerado reúne mais de 20 empresas e emprega mais de 5.500 pessoas. A companhia informa ter faturamento diário superior a US$ 1 milhão.
A Credicentro, onde Vázquez iniciou sua carreira, também passou por uma transformação dentro do grupo. Em 2022, a financeira mudou de nome e passou a se chamar Ueno Holding, uma das controladoras do Ueno Bank.
Semelhanças com Daniel Vorcaro
A trajetória empresarial de Vázquez apresenta pontos em comum com a de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O empresário brasileiro também iniciou sua carreira em uma companhia familiar, o Grupo Multipar, fundado por seu pai, onde ocupou cargos de direção e presidência.
Outro ponto de aproximação está no estilo de vida dos dois empresários. Durante uma operação realizada na quarta-feira (4), autoridades paraguaias fizeram buscas na residência de Vázquez, em Assunção.
Segundo o portal paraguaio ABC, os policiais encontraram uma escultura de um unicórnio gigante em um corredor próximo ao quarto do empresário. No universo das empresas de tecnologia, o termo unicórnio é utilizado para identificar startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. O animal mitológico também é um símbolo associado a Vázquez.
Na garagem da residência, foram encontrados sete carros de luxo e duas picapes, todos pretos. De acordo com a polícia, os veículos estão avaliados em US$ 1,4 milhão.
Empresário questionou críticas ao banco
Vázquez também demonstrou incômodo com publicações que colocavam em dúvida a regularidade das operações do Ueno Bank. Nesse aspecto, a postura se aproxima da adotada por Vorcaro diante de reportagens sobre o Banco Master.
Há dois meses, o empresário paraguaio republicou em suas redes sociais uma carta na qual contestava conteúdos que questionavam a atuação da instituição financeira.
Na publicação, Vázquez afirmou que o Ueno opera dentro do sistema financeiro regulado do Paraguai e que suas atividades são acompanhadas por instituições financeiras, agências de classificação de risco e agentes do mercado nacional e internacional.
“O Ueno opera dentro do sistema financeiro regulado paraguaio e seu desenvolvimento é acompanhado e avaliado por instituições financeiras, agências de classificação de risco e agentes do mercado local e internacional”, dizia o texto.
A manifestação também questionava a insistência em desacreditar a instituição, argumentando que os fatos e as avaliações das entidades do setor não sustentariam as acusações de irregularidades. A crise, entretanto, avançou com as investigações, a intervenção do Banco Central e a prisão do empresário.







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