Senado do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña após crise bancária

Decisão foi tomada pouco mais de 24 horas após abertura do processo na Câmara e impede que Peña se torne senador vitalício

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A crise bancária que deixou milhões de paraguaios sem acesso ao próprio dinheiro terminou com a destituição de Santiago Peña. O Senado do Paraguai aprovou por unanimidade, nesta sexta-feira (6), o impeachment do presidente, pouco mais de 24 horas depois de a Câmara autorizar a abertura do processo.

Peña havia apresentado sua renúncia na quinta-feira, após perder o apoio da bancada do Partido Colorado. A iniciativa, porém, não interrompeu o julgamento político motivado pelo colapso do Ueno Bank, instituição ligada ao grupo do qual ele foi acionista até 2025.

Aos 47 anos, o economista e ex-funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI) deixa o poder em meio a questionamentos sobre suas relações com o banco e sobre a aplicação de recursos públicos na instituição.

Decisão impede cadeira vitalícia

Com a condenação no julgamento político, Peña perde a possibilidade de assumir uma cadeira vitalícia no Senado, prerrogativa prevista para ex-presidentes paraguaios que concluíram o mandato ou renunciaram sem serem destituídos por impeachment.

Esse ponto esteve no centro da disputa sobre a aceitação de sua renúncia. A continuidade do processo levou à perda dessa proteção parlamentar diante de eventuais acusações criminais.

A defesa tentou obter, ainda pela manhã, um prazo adicional de 72 horas para examinar as acusações e as provas apresentadas pelos deputados responsáveis pela denúncia. O pedido foi rejeitado.

Os advogados anunciaram que pretendem contestar o julgamento no sistema interamericano de direitos humanos, alegando nulidades na condução do processo.

Banco concentrava recursos públicos

A queda de Peña ocorreu três dias depois da quebra do Ueno Bank. A instituição concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

O bloqueio de contas e investimentos atingiu clientes que representavam cerca de 40% da população do país. A falta de acesso ao dinheiro comprometeu pagamentos e afetou o funcionamento do comércio, ampliando a pressão sobre o governo.

A intervenção do Banco Central ocorreu após a identificação de problemas de solvência, que comprometiam a capacidade da instituição de cumprir suas obrigações financeiras.

A relação anterior de Peña com o grupo ligado ao banco tornou-se um dos principais pontos da crise política. Sem apoio suficiente no Congresso, o presidente viu o processo avançar da abertura na Câmara à destituição pelo Senado em pouco mais de um dia.

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