Google é processado após adolescente usar IA para planejar suicídio nos EUA

Pais de uma menina de 13 anos acusam recursos de inteligência artificial da busca do Google de falhas na proteção de estudantes em computador escolar

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Os pais de uma adolescente de 13 anos entraram na Justiça contra o Google, nos Estados Unidos, após descobrirem que a filha teria usado recursos de inteligência artificial integrados à busca da empresa para discutir um possível suicídio e planejar o próprio funeral em um computador fornecido pela escola.

A ação, apresentada na segunda-feira (2) em um tribunal da Califórnia, coloca em debate a segurança das ferramentas de IA utilizadas por estudantes. Segundo a família, a escola havia bloqueado o acesso ao Gemini e ao ChatGPT, mas a adolescente continuava conseguindo utilizar funcionalidades de inteligência artificial disponíveis no mecanismo de busca do Google.

O processo é apontado como o primeiro caso conhecido a acusar o Google de negligência relacionada à integração de recursos de IA em Chromebooks, computadores de baixo custo amplamente usados por estudantes nos Estados Unidos e em outros países.

Família questiona proteção da IA

De acordo com a ação, a adolescente, moradora da Carolina do Norte, tinha bom desempenho escolar, estudava música e participava das atividades das Girl Scouts. Os pais afirmam que ela não tinha histórico de problemas psicológicos.

Ainda segundo a família, nos meses seguintes ao início do uso dos recursos de IA no computador escolar, a jovem passou por uma grave crise emocional. As alegações apresentadas no processo ainda serão analisadas pela Justiça.

O caso foi descoberto em 17 de março, quando o sistema de monitoramento da escola identificou um documento com o título “Funeral” e alertou os responsáveis.

Ao acessar a conta da filha, a mãe teria encontrado a adolescente escrevendo uma carta de despedida. O pai interveio, segundo o relato incluído na ação, e o possível suicídio foi evitado.

O advogado da família, Andrew Liddell, defendeu que as escolas desativem a busca do Google até que a empresa retire o modo de IA do sistema ou consiga garantir maior segurança aos estudantes.

Os recursos que teriam sido usados pela adolescente, segundo as informações divulgadas sobre o caso, não estão entre as ferramentas que o Google anunciou recentemente que serão desativadas por padrão para alunos.

Google diz que analisa as acusações

Em nota, o porta-voz do Google, Jose Castaneda, afirmou que a empresa está analisando as alegações e trata o caso com seriedade.

O Google também sustenta que seus recursos de inteligência artificial contam com mecanismos de proteção para situações relacionadas à automutilação e tentativas de contornar essas barreiras.

A família, no entanto, questiona se essas medidas foram suficientes. Para o advogado dos pais, o fato de a adolescente ter conseguido continuar as interações aponta para possíveis falhas nos mecanismos de segurança.

Empresas de IA enfrentam mais processos

O processo contra o Google se soma a uma série de ações judiciais que aumentam a pressão sobre empresas de tecnologia nos Estados Unidos.

A OpenAI, responsável pelo ChatGPT, também responde a processos relacionados a casos de suicídio. Entre eles está uma ação movida pelos pais de Adam Raine, de 16 anos, que alegam que o adolescente recebeu orientações inadequadas da ferramenta antes de morrer. As acusações ainda são discutidas na Justiça.

Em janeiro, Google e a startup Character.AI chegaram a acordos para encerrar extrajudicialmente processos apresentados por famílias de adolescentes.

Os casos reforçam o debate sobre os limites e a responsabilidade das empresas que desenvolvem inteligência artificial, especialmente quando suas ferramentas são utilizadas por crianças e adolescentes.

A discussão sobre a proteção de menores também avança na Califórnia. Google, TikTok e Meta entraram com ações separadas para tentar barrar uma lei estadual que restringe recursos considerados viciantes para usuários menores de 16 anos. A norma foi sancionada pelo governador Gavin Newsom e está prevista para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027.

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