Marco Rubio deixaria governo Trump após derrota republicana nas eleições; ele nega

Secretário de Estado dos Estados Unidos nega intenção de renunciar, mas, segundo Bloomberg e The Independent, considera se afastar do presidente para disputar a sucessão republicana em 2028

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, avalia a possibilidade de renunciar ao cargo e deixar o governo de Donald Trump após a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3). As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (5) pela agência Bloomberg e pelo jornal britânico The Independent, com base em conversas reservadas com integrantes do governo americano.

Segundo as publicações, Rubio considera que um afastamento da administração Trump poderia favorecer seus planos políticos para 2028, quando os republicanos deverão escolher um candidato para disputar a Presidência dos Estados Unidos.

O secretário, porém, nega que pretenda deixar o governo. Em entrevista ao New York Times, afirmou que seu plano sempre foi permanecer na administração até o fim.

Derrota republicana aumenta pressão sobre Trump

O resultado das eleições de meio de mandato alterou a composição do Congresso americano. Os democratas conquistaram maioria expressiva tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, ampliando a capacidade de fiscalização e investigação sobre o governo Trump.

De acordo com a Bloomberg e o The Independent, Rubio também considera os possíveis desdobramentos políticos dessa nova configuração. Com o controle das duas Casas, os democratas poderão avançar em investigações sobre integrantes da administração republicana.

Entre os assuntos que podem entrar na mira da oposição estão as operações militares americanas no Caribe, incluindo explosões de embarcações que, segundo os democratas, podem ter violado a legislação.

Vice-secretário nega possibilidade de saída

A possibilidade de renúncia foi contestada por integrantes do governo. O vice-secretário de Estado, Dylan Johnson, classificou as informações como falsas em uma publicação na rede social X.

Em declaração à Bloomberg, Johnson afirmou que Rubio não discutiu a possibilidade de deixar o cargo e que pretende continuar servindo à administração Trump.

O representante também disse que as notícias seriam desmentidas e classificou as informações como uma farsa sem fundamento.

As publicações não apontaram uma data para uma eventual saída do secretário de Estado.

Guerra do Irã também pesa na avaliação política

Outro fator apontado nas reportagens é o desgaste provocado pela guerra do Irã. O conflito e suas consequências econômicas são considerados elementos importantes para explicar a derrota republicana nas eleições de meio de mandato.

O Departamento de Estado, comandado por Rubio, está envolvido na condução da política externa americana. Embora tenha apoiado os ataques contra o país do Oriente Médio, o secretário não é o principal responsável pela condução das operações militares.

Sua atuação está mais concentrada nas relações dos Estados Unidos com a América Latina.

América Latina é prioridade na atuação de Rubio

Filho de cubanos, Marco Rubio construiu parte de sua trajetória política com foco nas relações entre Washington e os países latino-americanos. O tema já ocupava espaço central em sua atuação como legislador na Flórida e senador em Washington.

Atualmente, o secretário participa das articulações americanas relacionadas à Venezuela, incluindo a tutela exercida pelos Estados Unidos sobre o governo de Delcy Rodríguez. Também conduz diálogos com integrantes da diáspora cubana que defendem uma atuação mais incisiva de Washington contra o regime de Cuba.

Essa agenda regional é considerada uma das principais marcas de sua trajetória política.

Rubio e Vance aparecem como possíveis sucessores de Trump

A possibilidade de Rubio disputar a Presidência em 2028 já é discutida nos bastidores da política americana. O secretário de Estado aparece entre os nomes cotados para representar o Partido Republicano na eleição.

Em 2016, ele chegou a disputar as primárias republicanas contra Donald Trump, mas abandonou a corrida depois que o então empresário venceu a disputa interna na Flórida.

Outro nome apontado como possível sucessor de Trump é o vice-presidente J. D. Vance.

Após o resultado das eleições de meio de mandato, Vance criticou publicamente a guerra no Irã e atribuiu ao conflito a responsabilidade pela conquista de maioria democrata no Congresso. A manifestação foi interpretada como um sinal de distanciamento em relação a uma das principais decisões do governo.

Rubio, por sua vez, ainda não se pronunciou publicamente sobre o resultado eleitoral nem sobre uma eventual candidatura presidencial.

Trump não poderá disputar novamente a Presidência em 2028, pois a Constituição dos Estados Unidos impede que uma mesma pessoa seja eleita para mais de dois mandatos. A sucessão republicana, portanto, deverá ser definida em uma nova disputa interna do partido.

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