Saiba quem é Pedro Alliana, que assumirá Presidência do Paraguai após renúncia de Peña

Integrante do Partido Colorado, o atual vice-presidente já comandou a Câmara dos Deputados e chega ao Executivo em meio à crise bancária e à instabilidade política no país

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Pedro Alliana assumirá a Presidência do Paraguai após a renúncia de Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5), em meio à crise bancária que atingiu o país. A Câmara dos Deputados rejeitou o pedido de impeachment do vice-presidente, abrindo caminho para que ele ocupe o comando do Executivo paraguaio.

Aliado político de Peña, Alliana pertence ao Partido Colorado, legenda conservadora que governa o país. Sua chegada à Presidência ocorre em um momento de forte instabilidade política e econômica, provocado pelo fechamento do banco digital Ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro.

Quem é Pedro Alliana

Alliana construiu sua trajetória política dentro do Partido Colorado, uma das principais forças políticas do Paraguai. Antes de chegar à Vice-Presidência, ocupou a presidência da Câmara dos Deputados, posição que lhe deu influência nas articulações políticas e nas relações entre o Executivo e o Legislativo.

Sua proximidade com Peña foi determinante para a composição da chapa que venceu as eleições de 2023. Agora, ele assume o governo em circunstâncias diferentes das previstas originalmente, com o desafio de administrar a crise financeira e reconstruir a confiança nas instituições paraguaias.

O novo presidente também terá de lidar com questionamentos políticos. Apesar de a Câmara ter rejeitado o pedido de impeachment, Alliana também era alvo de iniciativas para afastá-lo do cargo.

Renúncia de Peña após crise bancária

Peña anunciou a renúncia depois de perder sustentação política diante das acusações relacionadas ao banco digital Ueno. O presidente era acionista do grupo controlador da instituição até março do ano passado e foi acusado pela oposição de conflito de interesses e de ter sido conivente com irregularidades.

O Banco Central iniciou a liquidação do Ueno na terça-feira (3), após identificar insuficiência de recursos para cobrir as obrigações da instituição. O banco tinha aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

Investigação e instabilidade financeira

A Procuradoria acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco, e executivos se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão. A oposição também acusa o Banco Central de encobrir irregularidades e aponta possíveis desvios de recursos previdenciários.

A crise provocou o rompimento de aliados importantes de Peña, entre eles Horacio Cartes, presidente do Partido Colorado e considerado seu mentor político. O presidente do Congresso, Basilio Nuñez, também retirou apoio ao governo.

Economista conservador, Peña havia assumido a Presidência em 2023, com mandato previsto até 2028. Aliado de Donald Trump e integrante do Escudo das Américas, também mantinha boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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