Partido ultraortodoxo rompe apoio histórico a Netanyahu e abre espaço para oposição formar governo em Israel

Judaísmo Unido da Torá retira respaldo ao premier, enquanto Gadi Eisenkot amplia apoios nas negociações

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A decisão de um aliado histórico de não apoiar Benjamin Netanyahu alterou nesta quinta-feira (5) o equilíbrio das negociações para formar o próximo governo de Israel. O partido ultraortodoxo Judaísmo Unido da Torá comunicou ao presidente Isaac Herzog que não indicará nenhum candidato ao cargo de primeiro-ministro, enfraquecendo o atual premier e abrindo espaço para o avanço do oposicionista Gadi Eisenkot.

A legenda integra a base de Netanyahu desde seu primeiro governo, em 1996. Com a retirada do apoio de seus sete deputados, o bloco favorável à permanência do primeiro-ministro passou de 53 para 46 cadeiras.

Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior israelense, reuniu inicialmente 48 assentos entre os partidos de seu campo. Com o respaldo do Ra’am, a Lista Árabe Unificada, passou a contar com 56 — ainda abaixo das 61 cadeiras necessárias para assegurar maioria no Parlamento.

Serviço militar está no centro do rompimento

A posição do Judaísmo Unido da Torá foi apresentada durante as consultas conduzidas por Herzog com as lideranças partidárias. A principal exigência da legenda é a regulamentação da situação dos estudantes religiosos.

“Queremos que, em qualquer governo que seja formado, o elemento prévio ou imediato seja a regulamentação do status dos estudantes da Torá”, disse o deputado Isaac Pindrus, membro do partido, durante o encontro com Herzog.

O Judaísmo Unido da Torá e o Shas, outra importante legenda ultraortodoxa, se opõem à convocação de estudantes religiosos para o Exército. A questão provoca tensões em um país envolvido militarmente em diferentes frentes.

Netanyahu apoiou os esforços dos dois partidos, mas não conseguiu aprovar uma legislação que garantisse a isenção do serviço militar, o que ampliou a insatisfação entre os aliados.

Presidente consulta partidos para definir indicação

A eleição, marcada por um recorde de participação, terminou sem maioria para os blocos liderados por Netanyahu e Eisenkot. Os partidos árabe-israelenses conquistaram, juntos, 19 cadeiras e passaram a ter peso decisivo nas negociações, embora enfrentem resistência entre setores sionistas, que defendem o caráter judeu do Estado de Israel.

A decisão do Judaísmo Unido da Torá de não indicar um candidato não representa apoio automático a Eisenkot. Ainda assim, reduz a força de Netanyahu no processo de consultas.

Herzog pretende concluir as reuniões até a noite desta quinta-feira, mas pode estender as conversas. O prazo para decidir a quem confiará a missão de formar o governo termina em 11 de novembro.

Auditoria não encontra provas de fraude

Diante do resultado insuficiente para assegurar sua permanência no poder, Netanyahu e aliados intensificaram as acusações contra o processo eleitoral.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro mencionou “sérias suspeitas de que Estados estrangeiros teriam investido quantias consideráveis para influenciar os resultados das eleições em Israel”. Ele citou detenções de pessoas com envelopes de dinheiro no dia da votação, episódios classificados pelas autoridades como isolados, e também acusou dirigentes de receber recursos do Catar.

A autoridade eleitoral informou ter auditado 9.069 seções após receber denúncias. Segundo o órgão, não foram encontradas provas que comprometessem a integridade dos resultados.

A comissão eleitoral aprovou o resultado por 15 votos a dois, com 14 abstenções.

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