A França enfrenta nesta quinta-feira (5) uma nova jornada de greves e manifestações contra a alta do custo de vida, com impactos nos transportes, nas escolas e no turismo. A Torre Eiffel está fechada, enquanto milhares de pessoas participam de atos em cidades como Paris, Lyon e Marselha, segundo agências de notícias.
Sindicatos de diferentes categorias se uniram à mobilização e anunciaram cerca de 260 protestos pelo país. Além de cobrar medidas para recuperar o poder de compra, as entidades apoiam o movimento iniciado por estudantes do ensino médio em setembro.
Em comunicado conjunto, os sindicatos afirmam que a França está à beira da recessão e enfrenta uma multiplicação de planos de demissão.
“Combustível, alimentos, aluguel, gás, eletricidade… Tudo está subindo, exceto salários e aposentadorias. A raiva é imensa. A situação neste país é frágil. Os desafios sociais e ambientais urgentes devem ser enfrentados sem demora”, diz o comunicado.
Escolas fechadas e transporte prejudicado
Centenas de escolas de ensino médio tiveram as atividades interrompidas. Parte das unidades foi bloqueada por manifestantes, enquanto outras não puderam funcionar devido à adesão de professores à greve. O transporte público também sofreu fortes alterações.
Em Estrasburgo, a estudante Luce, de 15 anos, explicou à AFP a decisão de continuar nas ruas.
“Seguimos com o movimento porque não nos escutam. Estamos aqui para tentar mudar as coisas”, declarou.
As reivindicações dos sindicatos incluem a valorização do salário mínimo, reajustes para as demais faixas salariais, mais justiça fiscal e a preservação dos serviços públicos. A pressão sobre o orçamento das famílias se soma à insatisfação com o ajuste fiscal pretendido pelo governo para 2027.
Governo mobiliza 70 mil policiais
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou a mobilização de 70 mil policiais, com apoio de veículos blindados, drones e helicópteros.
Em Rennes, autoridades da região da Bretanha relataram que “indivíduos mascarados” tentaram bloquear estradas. Também atribuíram a jovens, frequentemente acompanhados por adultos, “graves atos de violência”, incluindo o lançamento de bolas de aço contra policiais.
Na capital, as forças de segurança impediram bloqueios em centros de ensino e utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar jovens manifestantes.
Mobilização amplia pressão sobre Macron
Iniciados em meados de setembro por estudantes, os protestos ganharam a adesão de outros setores. Mobilizações também se espalharam por países como Espanha, Itália, Bélgica e Albânia.
Na França, algumas jornadas foram marcadas por distúrbios e saques, como a de 17 de outubro. A sequência de manifestações amplia a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, cuja saída do poder está prevista para maio.
Segundo as autoridades, os atos chegaram a reunir quase 1,3 milhão de pessoas em dias anteriores. Para esta quinta-feira, a expectativa era de 500 mil a 700 mil participantes fora de Paris.







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