Uma ex-funcionária do Cartório do Ofício Único de Trajano de Moraes foi presa preventivamente, nesta quinta-feira (5), suspeita de desviar mais de R$ 396 mil e falsificar documentos de imóveis durante o tempo de trabalho. Agentes da 157ª DP (Trajano de Moraes) e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio (MPRJ) cumpriram o mandado nesta manhã.
Juliana de Souza Louza pode responder por peculato (desvio da função pública), estelionato, falsificação de documento público, inserção de dados falsos em sistemas de informações e supressão de documento. Segundo a denúncia do Ministério Público, a mulher teria usado o cargo no cartório para produzir escrituras e registros de imóveis falsos, com selos de fiscalização usados de forma ilegal.
Segundo o promotor de Justiça de Trajano de Moraes, Marcos Martins Davidovich, a investigação apontou nove vítimas prejudicadas pela suspeita. “Quem foi atendido no cartório no período entre meados de 2023 ao final de 2024 e tem dúvidas sobre seus documentos, tem que procurar o Ofício Único de Trajano de Moraes para tentar resolver sua situação”, alertou.
Assista o vídeo:
Esquema de fraude
Pessoas que procuravam o serviço para regularizar propriedades pagavam pelos procedimentos e recebiam documentos que, em alguns casos, não correspondiam aos registros oficiais. A denúncia apontou ainda que a ex-funcionária também recebia pagamentos em uma conta bancária aberta em nome do cartório, mas que ficava sob seu controle. Os valores eram transferidos para contas pessoais. Por esse meio, teriam sido desviados R$ 115,3 mil em 59 operações.
Outros R$ 280,9 mil teriam saído diretamente das contas oficiais do cartório, por meio de 186 transferências. Ao todo, o Ministério Público estima que o prejuízo seja de R$ 396,3 mil e pediu à Justiça que a suspeita seja obrigada a devolver o valor.
A Justiça autorizou a prisão preventiva ao considerar o risco de que as irregularidades continuassem. De acordo com a decisão, a mulher teria seguido recebendo pagamentos de clientes mesmo depois de deixar definitivamente o cartório, em dezembro de 2024. Ela ainda se apresentaria como funcionária da unidade.
Investigação
O caso começou a ser investigado em maio deste ano, depois que a Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça do Rio identificou irregularidades. Na ocasião, policiais cumpriram um mandado de busca na casa da ex-funcionária. No local, os agentes encontraram documentos do cartório, entre eles folhas do Livro de Notas nº 77, que estava desaparecido, além de um caderno com anotações de acesso a sistemas e contas bancárias.







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