Carta de psiquiatras contra bets reúne mais de 4,2 mil assinaturas de médicos em todo o Brasil

Documento pede proibição total das apostas on-line, incluindo publicidade e patrocínios, e investigação de possíveis vantagens recebidas por parlamentares ligados ao setor.

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Uma carta assinada por 4.264 médicos de todo o Brasil pede a proibição total das plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets. O documento, que reúne profissionais das 27 unidades da federação, defende que a restrição inclua também a publicidade e os patrocínios das empresas do setor.

Do total de assinaturas registradas até a tarde desta quinta-feira (5), 1.246 são de psiquiatras e médicos residentes em psiquiatria. Outros 3.018 profissionais pertencem a diferentes especialidades.

Os signatários pedem ao Congresso Nacional que transforme em lei a proibição estabelecida pela Medida Provisória nº 1.394/2026. Também solicitam ao Supremo Tribunal Federal (STF) que mantenha a eficácia da medida enquanto o Legislativo discute o assunto.

Médicos cobram proibição de publicidade e patrocínios

A carta defende que a proibição das apostas seja integral, sem período de transição ou flexibilização. Para os profissionais, a regulamentação do mercado não foi suficiente para proteger pessoas que desenvolveram transtorno do jogo.

Os médicos relatam atender pacientes que enfrentam perdas financeiras, rompimento de vínculos familiares e sociais e tentativas de suicídio relacionadas à compulsão por apostas.

O documento argumenta que a oferta ilimitada de jogos e a publicidade em larga escala dificultam o controle individual de pessoas que já desenvolveram dependência. Por isso, os signatários também defendem maior fiscalização dos sites e dos meios de pagamento utilizados pelas plataformas.

Carta aponta aumento de atendimentos no SUS

Entre os dados apresentados pelos médicos está o crescimento de aproximadamente 140% nos atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados ao jogo patológico e a problemas com apostas entre 2018 e 2025.

O levantamento citado na carta tem como fonte o Ministério da Saúde. O documento também menciona que os apostadores perderam R$ 37 bilhões no mercado regulado de apostas em 2025, segundo informações da Secretaria de Prêmios e Apostas.

Os profissionais defendem a ampliação da assistência em saúde mental para atender pessoas afetadas pelo jogo compulsivo e suas consequências financeiras, familiares e sociais.

Documento pede investigação de parlamentares

Outro ponto apresentado na carta é a solicitação de investigação sobre eventuais vantagens recebidas de empresas de apostas por parlamentares que participaram da defesa da legalização e da regulamentação do setor.

O pedido também abrange políticos que venham a defender a reabertura do mercado de apostas no país.

A iniciativa tem apoio institucional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da Sociedade de Pediatria do Distrito Federal.

O documento reúne, portanto, reivindicações relacionadas à proibição das bets, à fiscalização das plataformas, à assistência em saúde mental e à apuração de possíveis benefícios recebidos por representantes do Legislativo.

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