O Senado do Paraguai iniciou na noite desta quinta-feira (5) o julgamento político do presidente Santiago Peña, em meio à crise provocada pela quebra do Ueno Bank. Mesmo após o mandatário apresentar sua renúncia, os parlamentares deram continuidade ao processo de impeachment, que pode determinar as condições de sua saída do poder e seu futuro político.
A sessão extraordinária começou às 19h50, com o Senado constituído formalmente como tribunal. Os responsáveis pela acusação passaram a apresentar os pontos da denúncia, enquanto manifestantes acompanhavam os trabalhos em vigília do lado de fora do Congresso.
Peña deverá comparecer para exercer seu direito de defesa nesta sexta-feira (6), a partir das 10h.
Renúncia e disputa por imunidade
Mais cedo, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do impeachment por unanimidade, com 78 votos. A acusação havia sido apresentada por 35 parlamentares. Já o processo contra o vice-presidente, Pedro Alliana, foi rejeitado.
A renúncia anunciada por Peña abriu uma disputa sobre os efeitos de sua saída. Opositores defenderam a continuidade do julgamento para impedir que ele obtenha a condição de senador vitalício, prerrogativa prevista para ex-presidentes paraguaios e associada à imunidade parlamentar.
A Constituição exclui desse benefício quem é submetido a julgamento político e considerado culpado. Governistas, por sua vez, argumentaram que aceitar a renúncia permitiria uma transição mais rápida para Alliana e que uma eventual retirada da imunidade poderia ser analisada posteriormente.
Durante a tarde, uma sessão do Senado destinada a examinar o pedido de renúncia foi suspensa por falta de quórum.
Acusações envolvem recursos públicos
A oposição atribui a Peña conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. Também acusa o Banco Central de encobrir irregularidades na instituição financeira.
Peña foi acionista do grupo proprietário do Ueno até março de 2025. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A autoridade monetária identificou problemas para o cumprimento das obrigações da instituição, relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio banco. O bloqueio das contas deixou milhões de clientes sem acesso ao dinheiro e provocou protestos.
Presidente pede desculpas
Ao anunciar a renúncia em vídeo, Peña afirmou que sua decisão buscava preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas.
“Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, declarou.
O presidente também afirmou que os responsáveis pelas irregularidades deverão responder à Justiça. A Procuradoria acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco, e a Justiça determinou o bloqueio de bens dos acusados.
A Associação de Bancos do Paraguai informou que as instituições estavam atendendo ao aumento da demanda de clientes que transferiam suas contas do Ueno e afirmou que o sistema financeiro seguia funcionando normalmente.







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