Bolsonaro diz ter ‘consciência tranquila’ após as três horas de interrogatório no STF

Ex-presidente nega participação em tentativa de golpe e afirma que vive uma luta “por um Brasil mais livre

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Após ser interrogado por cerca de três horas pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro declarou nas redes sociais que está “com a consciência tranquila”. A declaração foi publicada na noite desta terça-feira (10), logo após a oitiva conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito da Ação Penal nº 2.688, que apura a tentativa de anular o resultado das eleições de 2022. As informações são do Metrópoles.

No depoimento, Bolsonaro prestou esclarecimentos sobre sua suposta participação em uma trama golpista que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), tinha como objetivo impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em sua publicação na rede social X (antigo Twitter), o ex-presidente afirmou ter respondido às perguntas com “transparência e convicção” e classificou sua situação como parte da luta “de milhões de brasileiros por um país mais livre, mais justo e mais forte; sem censura nem perseguição”.

A investigação envolve ainda outros sete réus apontados como integrantes do “núcleo crucial” da organização acusada de planejar o golpe. Além de Bolsonaro, estão na lista nomes como Mauro Cid, Anderson Torres, Braga Netto, Augusto Heleno, Almir Garnier, Paulo Sérgio Nogueira e Alexandre Ramagem. Todos respondem por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, além de deterioração de patrimônio público tombado.

O interrogatório de Bolsonaro foi uma das etapas finais da fase de instrução do processo penal, que reúne provas e depoimentos para subsidiar o julgamento. Após o encerramento dessa fase, defesa e acusação poderão solicitar diligências adicionais. Em seguida, será aberto o prazo para as alegações finais, antes da decisão da Primeira Turma do STF sobre a condenação ou absolvição dos réus.

Ao longo do dia, aliados do ex-presidente adotaram discurso semelhante nas redes sociais, defendendo sua inocência e afirmando que ele está sendo vítima de perseguição política. A defesa de Bolsonaro sustenta que não houve qualquer ação concreta que caracterize tentativa de golpe e nega todas as acusações.

A ação penal se tornou um dos processos mais emblemáticos do STF após os ataques às instituições em janeiro de 2023 e busca responsabilizar figuras centrais da articulação golpista apontada pela PGR. O desfecho do caso pode ter repercussões políticas e jurídicas profundas, inclusive na elegibilidade futura de Bolsonaro.

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