Opinião

Uma eleição predestinada ao segundo turno: 78,7% ainda não sabem em quem votar para governador no cenário espontâneo, e falta 0,5% na pesquisa induzida para esse cenário se concretizar

Para Mario Marques, disputa no Rio será, a exemplo de 2022, entre direita e esquerda

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*Mario Marques

A nova pesquisa Prefab Future indica o que apregoei dois meses atrás: a eleição ao governo do estado do Rio é uma eleição de dois turnos. Essa percepção, captada em pesquisas qualitativas que rodamos em todas as regiões, é reafirmada não só na pesquisa Prefab publicada hoje, mas também na Quaest e na Real Time Big Data da semana passada. O retrato desse momento, de total desconexão do eleitorado com as eleições, move os números para os candidatos mais conhecidos, destacadamente Eduardo Paes. Mas, à medida que o tempo se move à frente, a disputa tende a virar ideológica, direita contra a esquerda, sentimento esse que persevera entre o eleitorado evangélico, de 38% a 40% dos fluminenses. Portanto, na lógica, Eduardo Paes, o candidato do Lula, e Douglas Ruas, candidato do Bolsonaro, seriam as possíveis peças a se enfrentar num provável segundo turno, com o ex-governador Anthony Garotinho, o Coronel Busnello (Partido Missão) o comunicador André Marinho (Partido Novo) também em busca desse público da direita e de um espaço maior.

E mais: somados todos os adversários de Paes, falta 0,5%, segundo a pesquisa Prefab, para o segundo turno se tornar uma realidade.

Os desafios dos candidatos são múltiplos e distintos. Eduardo Paes, na série Prefab, estava em tendência de queda nas últimas três pesquisas e nessa última sondagem estagnou em 34%. Para Paes, que se internou num corredor de esquerda, abraçando Lula e o legado de Brizola, cabe tentar trazer a narrativa para gestão, o que, aqui entre nós, é uma aposta absolutamente ineficaz para um eleitorado machucado pela insatisfação geral. Para Douglas Ruas, o desafio é se tornar conhecido – quase 80% do eleitorado fluminense não sabem quem ele é – e conhecido da maneira correta. Para Garotinho, o muro é mais alto. Muito conhecido do eleitor, ele precisa achar formas de driblar a rejeição, que na pesquisa Prefab subiu a quase 27%. André Marinho e Coronel Busnello, com estruturas menores, terão mais dificuldade para se tornarem conhecidos. Marinho ainda tem vantagem sobre Busnello porque deve ser convidado para alguns debates, incluindo aí o da Band no próximo domingo.

O empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, que já dura 3 pesquisas Prefab, mostra que, diferentemente de Paes, que já se tornou publicamente o candidato do Lula – e curiosamente os números da pesquisa Prefab de ambos são próximos – Paes tem 34,5% e Lula, 31% – Douglas ainda não demonstra em seu atual número, 10,9%, o apoio de Flávio Bolsonaro. Em tese, o crescimento de Douglas deve acontecer à medida que a eleição vai se aproximando, quando, tradicionalmente, a eleição estadual começa a se ideologizar.

A tentativa de Paes de não deixar nacionalizar o debate para a eleição estadual não deve funcionar. O eleitor fluminense quer saber quem é o candidato do Lula e quem é o candidato do Bolsonaro e não há como fugir disso; basta olhar a disputa presidencial local, na qual inexistem outros candidatos.

A saída do ex-governador Wilson Witzel para apoiar Garotinho não deve mexer significativamente nos números, já que Witzel flutuava nas pesquisas entre 2,5% e 4%. Mas será um atirador a menos no líder das pesquisas.

Pesquisas são retratos mutáveis. E o retrato de agora, olhando para o modo espontâneo em que 78,7% dos fluminenses não sabem em quem votar para governador, mostra que poderemos ter 60 dias de muitas reviravoltas.

*Mario Marques é jornalista, escritor e marqueteiro da LabPop.

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