O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) assinou um contrato que previa a possibilidade de adquirir 4% de participação no Instituto Iter, instituição jurídica fundada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi publicada nesta quarta-feira (23) pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Segundo a publicação, o documento foi localizado entre materiais apreendidos pela Polícia Federal em buscas contra o parlamentar e a advogada Valéria Linhares. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino e integra investigação sobre suspeita de uma estrutura de comercialização de influência junto a integrantes de tribunais superiores. A PF ressalta que os ministros citados não são investigados nessa apuração.
Contrato previa participação de 4%
De acordo com a Folha, Cezinha assinou uma opção de compra futura correspondente a 4% do Iter. A assessoria de Mendonça afirma, porém, que a aquisição nunca foi efetivada e que o parlamentar não se tornou sócio da instituição.
Ainda segundo a versão apresentada pela assessoria do ministro à publicação, Cezinha depositou como caução R$ 19.353, valor equivalente a 1% das ações. Os outros 3% previstos no acordo seriam adquiridos de outros integrantes da sociedade.
A condição relatada pela assessoria era que a compra somente poderia ser concretizada caso Cezinha deixasse a atividade política. A previsão seria de que isso ocorresse em 2027, depois do encerramento de seu mandato de deputado.
Relação com Mendonça e encontro com Vorcaro
Cezinha também aparece em outro episódio que passou a ser analisado no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master. Em março de 2025, o parlamentar intermediou um encontro entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, então controlador do banco. Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que Cezinha participou da organização da reunião.
O encontro ocorreu na sede do próprio Instituto Iter. Mendonça afirmou posteriormente que a conversa durou entre 20 e 30 minutos e tratou de precatórios relacionados ao Master.
Flávio Dino encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, questões relacionadas à atuação de Mendonça para eventual análise pela própria Corte. Em decisão posterior, Dino ressaltou que uma investigação policial sobre ministro do Supremo não poderia ser determinada dessa forma e que eventuais providências sobre a atuação funcional de integrantes do STF caberiam ao presidente do tribunal e ao colegiado.
Instituto já estava sob questionamentos
O Iter já havia chamado atenção por seus contratos com órgãos públicos. Levantamento publicado pela Folha apontou que a instituição firmou 68 contratos sem licitação com órgãos de 15 estados desde 2024, recebendo R$ 11,5 milhões. O instituto sustenta que as contratações seguiram a legislação e as regras de governança e conformidade.
No início de setembro, Mendonça anunciou que deixaria a sociedade do Iter, cedendo suas cotas e as de sua esposa sem contrapartida financeira. Segundo a assessoria do magistrado, ele nunca recebeu lucros do instituto e permaneceria ligado à instituição apenas em atividades acadêmicas, como professor.
O novo documento envolvendo Cezinha acrescenta outro elemento à relação entre o parlamentar e o instituto, mas, conforme a versão da assessoria de Mendonça, a opção prevista no contrato não foi exercida e Cezinha não se tornou sócio da entidade.







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