O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), fez uma defesa enfática do Carnaval e da cultura carioca durante o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com artistas e representantes do setor, nesta quarta-feira (23), na Fundição Progresso, na Lapa. Em discurso de forte tom eleitoral, ele também atacou o bolsonarismo e defendeu a mobilização dos aliados na reta final da campanha.
Cavaliere destacou o investimento de R$ 150 milhões da Prefeitura do Rio na Fábrica do Samba Rosa Magalhães, destinada às escolas do grupo de acesso. Segundo ele, o valor deve ser analisado diante do impacto econômico provocado pelo Carnaval na cidade.
“Estamos botando R$ 150 milhões aqui nessa fábrica, no grupo de acesso, porque só nesse ano o Carnaval do Rio trouxe R$ 7 bilhões para a cidade do Rio de Janeiro”, afirmou.
Na sequência, resumiu o argumento: “Nem precisa amar Carnaval, nem precisa amar. É só fazer conta. É claro que se amar é muito melhor, mas se fizer conta ajuda”.
Críticas aos ataques ao Carnaval
Cavaliere também criticou grupos políticos que, segundo ele, apresentam o Carnaval como uma ameaça aos valores familiares. O prefeito associou esse discurso ao que classificou como “extremismo bolsonarista”.
“Quando a gente acha que eles não vão cometer isso de novo, eles vão lá e fazem questão de mostrar quem eles são de verdade”, disse.
Ao falar diretamente a Lula, Cavaliere afirmou que o Rio seria uma espécie de ponto de origem da ascensão política desse campo nos últimos anos.
“Nós estamos no ovo da serpente do extremismo bolsonarista que governou o Brasil e destruiu o Brasil entre 2018 e 2022”, declarou.
As afirmações sobre “destruição” do país e do estado representam a avaliação política de Cavaliere sobre os governos adversários.
Cavaliere cita Ricardo Couto
Ele também mencionou o atual governador interino do Rio, Ricardo Couto, ao defender que os aliados de Lula não interpretem a mudança no comando estadual como motivo para reduzir a mobilização política.
“O Ricardo Couto, que governa o Estado do Rio de Janeiro hoje, não é obra do acaso. O desembargador que governa o Rio de Janeiro hoje não caiu de paraquedas”, afirmou.
Para Cavaliere, a chegada de Couto ao governo deve ser interpretada no contexto da crise política vivida pelo estado. Ele argumentou ainda que a presença de Lula na Presidência e de aliados no comando de outras administrações não deve provocar acomodação.
“Alento desmobiliza, e está na hora da gente estar mobilizado, atento”, afirmou.
Prefeito pede vitória no primeiro turno
Na parte final do discurso, Cavaliere elevou o tom eleitoral e defendeu a união das forças políticas que participavam do encontro na Fundição Progresso.
O prefeito citou Lula, Eduardo Paes, Benedita da Silva e Pedro Paulo ao sustentar que o grupo deve permanecer unido na disputa contra seus adversários.
“Nós não estamos em tempos normais. O mundo está em guerra. A democracia do Brasil está ameaçada. E nós vamos unidos derrotar o extremismo aqui no Rio de Janeiro e no Brasil”, declarou.
Cavaliere encerrou o discurso exaltando o setor que protagonizou o encontro na Lapa: “Viva a cultura do Rio de Janeiro. Viva a cultura do Brasil”.
O ato reuniu artistas e representantes de diferentes áreas da cultura, entre eles Chico Buarque, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Lenine, Chico César, Daniela Mercury, Fernanda Abreu, Marieta Severo, Malu Mader, Cissa Guimarães e Leandro Vieira. O evento integra a mobilização da campanha de Lula a 11 dias do primeiro turno.







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