O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, na noite desta quarta-feira (23), a criação de mecanismos para transformar políticas públicas de cultura em ações permanentes de Estado. A declaração foi feita durante um ato de campanha na Fundição Progresso, na Lapa, no Centro do Rio, que reuniu nomes como Chico Buarque, Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho.
O encontro ocorreu a 11 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Lula, que disputa a reeleição, afirmou que já discutiu a consolidação das políticas culturais implementadas por seus governos, mas reconheceu que a iniciativa não avançou.
“Para que a gente mantenha uma política perene a vida inteira, você teria que eleger presidente e o povo, gente que pensasse na cultura a vida inteira”, afirmou.
Lula defende política cultural permanente
Durante o discurso, Lula sustentou que princípios relacionados à política cultural deveriam ser protegidos de mudanças provocadas pela alternância de governos. Segundo ele, uma das possibilidades seria incluir garantias na Constituição.
“É preciso que a gente coloque na Constituição aquilo que a gente quer de cultura. É a forma mais segura da gente poder garantir que não vai haver mudança de um governo para o outro”, disse.
O presidente também afirmou que o eleitor deve considerar o modelo de país que deseja antes de escolher seus candidatos.
“Eu sempre digo que votar é você primeiro votar em você. Você tem que construir na sua cabeça o país que você quer. Que educação que você quer, que cultura que você quer, que emprego que você quer”, declarou.
Na sequência, Lula relacionou esse raciocínio à escolha eleitoral e fez críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Se você pensar no Brasil que você deseja, fica mais fácil você escolher alguém que você confia que vai fazer aquele Brasil que você quer. Agora, se você pensa uma coisa e vota outra coisa, o resultado é o que aconteceu no governo Bolsonaro”, afirmou.
Críticas a Bolsonaro
Lula acusou Bolsonaro de desmontar estruturas administrativas durante sua passagem pela Presidência. Ao falar especificamente da cultura, lembrou que o Ministério da Cultura deixou de existir como pasta independente durante parte da gestão anterior.
“Bolsonaro destruiu o Ministério da Cultura, ele destruiu o Ministério do Trabalho, ele destruiu o Ministério da Indústria e Comércio, que passou a ser tudo ligado à Economia”, disse.
O presidente também defendeu a existência de ministérios destinados a diferentes segmentos sociais. Segundo Lula, essas estruturas permitem maior participação da sociedade na elaboração das políticas públicas.
“Os ministérios que a gente coloca como representação dos segmentos sociais são a coisa mais barata, é o que gasta menos, e é o que está mais próximo do ponto de vista político, que é o que permite a participação da sociedade na elaboração das decisões políticas do governo”, afirmou.
Lula disse ainda que pretende alterar a legislação para assegurar pelo menos princípios permanentes para o setor cultural.
“A gente vai ter que mudar a legislação para que a gente garanta que a política cultural seja definitiva, pelo menos alguns princípios”, declarou.
Diversidade cultural do Brasil
Em outro momento do discurso, Lula destacou manifestações culturais existentes fora dos grandes centros e afirmou que suas viagens pelo país permitiram conhecer atividades que muitas vezes não ganham visibilidade nacional.
“Este país é de uma dimensão cultural que não tem país do mundo que chega perto da diversidade cultural que tem o nosso país. O povo brasileiro é de uma criatividade extraordinária”, afirmou.
Segundo o presidente, atividades culturais podem ser encontradas tanto em pequenas cidades quanto nas periferias das grandes regiões metropolitanas.
Lula também recordou sua experiência no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Ele contou que, ainda na década de 1970, o sindicato mantinha teatro e promovia atividades ligadas ao cinema para trabalhadores.
O presidente relatou que grupos eram levados a sessões de cinema e, posteriormente, participavam de debates sobre os filmes. Ao lembrar da experiência, associou a cultura à formação e à ampliação da visão de mundo.
“Não tem nada para abrir mais a cabeça do ser humano do que a cultura”, afirmou.
Chico, Paulinho, Zeca e outros artistas
O ato na Fundição Progresso reuniu representantes de diferentes áreas da cultura. Além de Chico Buarque, Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho, estiveram no evento Lenine, Chico César, Daniela Mercury, Fernanda Abreu, Marieta Severo, Malu Mader, Cissa Guimarães, Tony Bellotto, Mestre Ciça e Leandro Vieira.
Também participaram a deputada federal Benedita da Silva (PT) e a vereadora Mônica Benício (PSOL). Lula foi anunciado no palco por volta das 20h15.
O evento, realizado sob o mote “Cultura com Lula”, integrou a estratégia de mobilização da campanha na reta final do primeiro turno. A agenda no Rio ocorreu um dia depois da participação do presidente na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.
Na sexta-feira (25), Lula terá outro encontro em São Paulo, desta vez com representantes do setor empresarial. São esperados mais de 200 convidados, entre empresários da indústria, do agronegócio, banqueiros e dirigentes de grandes companhias.
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