Os advogados de Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil e candidato a deputado federal pelo Rio, pediram que o processo de impugnação da candidatura do ex-prefeito de Belford Roxo, Waguinho (Rep), a senador seja incluído imediatamente na pauta de julgamento do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
Nesta quarta-feira (23), o relator do caso, desembargador Paulo Cesar Salomão Filho, determinou que as partes e a Procuradoria Regional Eleitoral tenham vista simultânea, pelo prazo de 24 horas, antes de decidir sobre o pedido. Antônio Rueda e o ex-prefeito de Belford Roxo e candidato a deputado estadual Márcio Canella (União) são autores de seis ações de impugnação do registro de candidatura de Waguinho.
No documento protocolado no TRE-RJ, os advogados de Rueda pedem que os integrantes da Corte decidam o caso sem nova demora. O julgamento havia sido suspenso anteriormente para que órgãos policiais e de fiscalização apresentassem informações mais detalhadas sobre investigações envolvendo Waguinho.
Entre as informações apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral estão registros e documentos sobre processos judiciais em que Waguinho é citado, como um Registro de Ocorrência da Polícia Civil do Rio de Janeiro, no qual ele aparece como supostamente “Envolvido – Associação Criminosa” . De acordo com as informações repassadas à Justiça Eleitoral, o procedimento investigativo permanece ativo.
Também foram apresentados documentos sobre rejeições de contas de gestão de Waguinho como prefeito de Belford Roxo. De acordo com as informações apresentadas no processo, as contas referentes aos exercícios de 2021 e 2022 foram rejeitadas. Entre os problemas apontados está a administração do fundo de previdência dos servidores municipais.
Os advogados de Rueda também também mencionam processos relacionados a supostos prejuízos aos cofres públicos, acusações de improbidade administrativa e alegações de que a estrutura da Prefeitura de Belford Roxo teria sido utilizada para beneficiar interesses particulares. Para osadvogados, esses episódios devem ser analisados em conjunto, e não como fatos isolados.
Em uma das manifestações apresentadas eles afirmam:
“Para que se configure o impedimento à capacidade eleitoral passiva, necessária a identificação de elementos robustos, graves e convergentes a evidenciar a umbilical ligação do candidato a um esquema complexo e estruturado de dilapidação sistêmica do erário e de enriquecimento ilícito (…)”.
Em outro trecho, a manifestação sustenta haver:
“[…] um acervo probatório robusto acerca da atuação do impugnado à frente do Município de Belford Roxo, com rejeição de contas, graves irregularidades administrativas e ações de improbidade decorrentes de fatos relacionados à gestão do patrimônio público.”
Os advogados também afirmam que:
“Os elementos apresentados indicam que a estrutura estatal de Belford Roxo teria sido reiteradamente instrumentalizada em benefício de interesses particulares, com consequências patrimoniais para o Município.”
Sete contestações à candidatura
Waguinho teve o registro de candidatura ao Senado contestado em diferentes ações.
Seis dessas ações foram protocoladas por Márcio Canella e Antônio Rueda, sendo três de cada um. As iniciativas citam principalmente a rejeição das contas de 2021 e 2022 e alegações relacionadas à administração municipal.
O Ministério Público Eleitoral também apresentou manifestação pelo indeferimento do registro.
Os advogados de Rueda defendem que o TRE-RJ não deve prolongar a análise do registro porque o calendário eleitoral já ultrapassou a data prevista para a definição das candidaturas pelas instâncias estaduais.
O prazo mencionado na manifestação foi 14 de setembro de 2026.
Briga política de Belford Roxo chegou à eleição estadual
O caso está inserido em uma disputa política que há anos divide o grupo político de ex-aliados em Belford Roxo.
Waguinho e Márcio Canella foram aliados até 2022. Canella chegou a ocupar o cargo de vice-prefeito durante a administração de Waguinho. A relação política entre os dois, porém, terminou co durante as eleições de 2022. O rompimento foi motivado principalmente pela disputa pelo controle da sucessão municipal em Belford Roxo em 2024 e por divergências de alinhamento ideológico nacional. Waguinho apoiou a candidatura de Lula (PT) a presidenteem 2022 e Canella de Jair Bolsonaro (PL).
O conflito também alcançou a Câmara Municipal. Na época, 13 vereadores passaram a apoiar Canella, enquanto 12 permaneceram alinhados a Waguinho.
Em 2024, Waguinho apoiou a candidatura do sobrinho, Matheus do Waguinho, do Republicanos, para a Prefeitura de Belford Roxo, contra Canella, que venceu a disputa.
Agora, a disputa local ganhou dimensão estadual com as contestações ao registro de Waguinho para o Senado e com ações envolvendo também Canella e Rueda. Os dois tiveram suas próprias candidaturas questionadas. No caso de Rueda, a Justiça Eleitoral já liberou o registro. A situação de Canella ainda aguarda definição do TRE-RJ.







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