O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou nesta quarta-feira (23) uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa tem como base mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e pede a abertura de investigação sobre a relação do banqueiro com o presidente e integrantes do governo federal.
A petição foi endereçada ao ministro André Mendonça no âmbito do Inquérito 5.026/DF. A defesa de Flávio pede que o caso seja encaminhado ao procurador-geral da República e que seja instaurado inquérito para apurar condutas que, segundo os advogados, poderiam configurar, em tese, corrupção passiva e advocacia administrativa.
Encontro fora da agenda e mensagem sobre whisky
Um dos principais pontos citados no documento é o encontro entre Lula e Vorcaro em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. A reunião não estava previamente registrada na agenda presidencial e foi intermediada pelo ex-ministro Guido Mantega. Segundo a Presidência, também participaram Rui Costa e Gabriel Galípolo.
A notícia-crime também destaca uma mensagem enviada pelo advogado Walfrido Warde a Vorcaro em janeiro de 2025. Nela, Warde afirma ter conversado com Lula e relata que o presidente teria perguntado pelo banqueiro, enviado um abraço e agradecido “mais uma vez o whisky”. Para a defesa de Flávio, a referência ao presente precisa ser investigada para esclarecer as circunstâncias em que teria ocorrido.
O documento reúne ainda mensagens que, segundo os advogados do candidato, indicariam tentativas de aproximação de Vorcaro com integrantes do governo. Entre elas está uma conversa de março de 2025 na qual Warde afirma que Lula aceitaria receber novamente o banqueiro e que o presidente telefonaria para tratar do encontro e do Banco Master.
Planalto contesta versão
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência contesta pontos centrais da narrativa. Em nota, afirmou que Lula se encontrou apenas uma vez com Vorcaro, em dezembro de 2024, e que, naquela ocasião, o banqueiro disse sentir-se perseguido. Segundo o Planalto, Lula respondeu que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central. A Secom também negou que o presidente tenha recebido presente, enviado recados ou participado das articulações mencionadas nas mensagens.
A própria notícia-crime registra a negativa da Presidência. A defesa de Flávio sustenta, porém, que as versões divergentes devem ser esclarecidas por investigação. No pedido final, requer o encaminhamento do caso à PGR e a instauração de inquérito para apuração dos fatos.







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