A poluição em Manaus atingiu um patamar acima do limite máximo da escala utilizada pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) na manhã desta quarta-feira (23). Em meio à fumaça provocada por queimadas, a concentração de partículas no ar chegou a 188,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³) no Distrito Industrial I, na Zona Sul da capital amazonense.
A medição foi registrada por volta das 5h15. O resultado superou os 160 µg/m³, limite máximo da escala do Selva, no qual a qualidade do ar já é classificada como péssima. Profissionais da área da saúde também relataram aumento na procura por atendimento em razão da combinação entre fumaça e calor intenso.
Fumaça afeta moradores
Entre os sintomas associados à exposição estão tosse, ressecamento dos olhos e da garganta. A enfermeira Núibia Rodrigues, da Fundação Dr Thomas, relatou que a instituição reforçou os cuidados com os idosos diante das condições registradas na cidade.
“Hoje amanhecemos com uma camada de fumaça bem intensa e os prontos-socorros tiveram uma demanda maior por conta da fumaça e do calor intenso”, afirmou.
Segundo ela, os idosos deixaram de tomar banho de sol, permaneceram com as janelas fechadas e receberam hidratação reforçada como medida de proteção.
Ao longo do dia, a situação apresentou alteração. Na tarde desta quarta-feira, o monitoramento em tempo real da IQAir apontava concentração de 41,3 µg/m³ em Manaus, patamar considerado não saudável para grupos sensíveis.
Saúde faz alerta
A Secretaria Municipal de Saúde orientou a população a reduzir a exposição à fumaça. A recomendação exige atenção especial para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.
Entre as medidas indicadas estão evitar atividades físicas ao ar livre, aumentar a hidratação e proteger olhos e nariz. Quando não for possível evitar a fumaça, a orientação é utilizar máscara para diminuir a inalação das partículas presentes no ar.
Tosse, irritação ou dor de garganta, ardência nos olhos, coriza, dor de cabeça, chiado no peito, falta de ar e agravamento de crises de asma estão entre os sinais de alerta mencionados pelas autoridades municipais. Casos mais graves exigem atendimento em serviços de urgência.
Queimadas ajudam a explicar cenário
A Secretaria Municipal de Segurança Pública informou que a fumaça que atingiu Manaus tem origem em áreas de queimadas de diferentes regiões da Amazônia, principalmente em municípios da Região Metropolitana da capital e do leste do Amazonas.
Segundo a meteorologista Andrea Ramos, o período seco cria condições favoráveis para a propagação do fogo. A redução das chuvas, as temperaturas elevadas e a menor umidade da vegetação contribuem para os incêndios, enquanto os ventos conseguem transportar a fumaça por centenas de quilômetros.
O fenômeno observado no céu de Manaus é conhecido como névoa seca. Ele ocorre quando partículas muito pequenas liberadas pela combustão ficam suspensas na atmosfera, diminuindo a visibilidade e dando ao céu uma aparência esbranquiçada ou acinzentada.
O problema não começou nesta quarta-feira. Na semana passada, Manaus também amanheceu coberta pela fumaça de queimadas. Na ocasião, o Selva registrou 129,5 µg/m³. Em setembro, moradores já haviam relatado outros episódios de fumaça e cheiro forte na capital amazonense.







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