STF retoma julgamento sobre corrupção em emendas e deputados podem ser condenados

Relator Cristiano Zanin apresenta voto em caso que investiga cobrança de propina para liberação de recursos do Orçamento

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira (17) o julgamento de um processo que pode resultar na primeira condenação de parlamentares por corrupção envolvendo emendas parlamentares. A análise ocorre na Primeira Turma da Corte e envolve acusações de desvio de recursos públicos e cobrança de propina para liberação de verbas do Orçamento.

Os réus são os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Gildenemyr de Lima Sousa, conhecido como Pastor Gil (PL-MA), e João Bosco da Costa, o Bosco Costa (PL-SE). Eles são acusados de integrar uma organização criminosa voltada à suposta “comercialização de emendas parlamentares”.

A retomada do julgamento será feita com o relator do caso, o ministro Cristiano Zanin, apresentando seu voto aos demais integrantes do colegiado.

Sessão pode terminar no mesmo dia

Após o voto do relator, também devem se manifestar os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino, presidente da Primeira Turma. A expectativa é de que o julgamento seja concluído ainda na terça-feira, inclusive com a possibilidade de a sessão se estender até o início da noite.

As primeiras sessões ocorreram na semana passada e foram dedicadas às manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e das defesas dos acusados. Durante a sustentação oral, o subprocurador-geral Paulo Vasconcelos Jacobina defendeu a aplicação de punição rigorosa aos parlamentares, citando a gravidade das condutas apontadas na investigação.

Segundo a acusação, o esquema não teria se limitado a um único município e teria envolvido abordagem de gestores públicos de diferentes cidades para cobrança de valores em troca da liberação de emendas.

Suposta cobrança de propina para liberar verbas

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, entre janeiro e agosto de 2020 os parlamentares teriam solicitado a um prefeito do interior do Maranhão o pagamento de R$ 1,7 milhão em propina. Em troca, seriam destinados cerca de R$ 6,7 milhões em emendas parlamentares ao município.

A acusação também envolve outros cinco réus, apontados como responsáveis por intermediar cobranças e realizar abordagens para obtenção de vantagens indevidas junto a gestores municipais.

Para os investigadores, o grupo seria liderado por Josimar Maranhãozinho. A tese se baseia, entre outros elementos, em trocas de mensagens entre os parlamentares sobre a destinação de emendas. Em uma conversa citada no processo, Pastor Gil pergunta quais municípios deveriam receber recursos e recebe como resposta a indicação de valores destinados a São José de Ribamar.

Investigações incluem ação da Polícia Federal

As apurações também se baseiam em provas reunidas em investigações conduzidas pela Polícia Federal. Em 2021, vieram a público imagens gravadas em uma ação controlada que mostram Josimar Maranhãozinho entregando uma caixa com dinheiro a um aliado.

Os vídeos foram registrados no contexto da Operação Descalabro, que investiga um segundo caso envolvendo suspeitas de desvio de recursos públicos ligados ao parlamentar.

Durante sessões anteriores do julgamento, o ministro Flávio Dino também defendeu a atuação da Corte diante das discussões sobre transparência na execução das emendas parlamentares. Segundo ele, embora o tribunal possa cometer erros, as decisões buscam garantir maior controle sobre o uso de recursos públicos.

A expectativa é que novas manifestações dos ministros ocorram durante a continuidade do julgamento, que pode estabelecer um marco nas investigações sobre corrupção envolvendo emendas parlamentares.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading