Vorcaro altera delação e aponta suposta propina a Ciro Nogueira em nova tentativa de acordo

Nova versão da colaboração do ex-banqueiro Daniel Vorcaro muda narrativa sobre repasses ao senador e amplia investigações envolvendo o Banco Master.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro apresentou uma nova versão de sua proposta de delação premiada e mudou significativamente o relato sobre pagamentos feitos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). De acordo com informações divulgadas por pessoas que acompanham as negociações, os repasses que antes eram descritos como gastos decorrentes de uma relação de amizade passaram a ser tratados como suposta propina.

Na primeira tentativa de acordo com as autoridades, Vorcaro alegava que havia custeado viagens, festas e outros benefícios ao parlamentar sem qualquer expectativa de retorno. Agora, segundo relatos ligados à negociação, ele afirma que os pagamentos tinham o objetivo de aproximar o senador e favorecer interesses relacionados ao Banco Master.

A reformulação da proposta ocorreu após mudanças em sua equipe jurídica. O advogado José Luís de Oliveira Lima deixou a defesa, que passou a ser conduzida por Sérgio Leonardo.

Nova versão amplia acusações

Além da mudança envolvendo Ciro Nogueira, a nova colaboração também traz informações adicionais sobre supostas irregularidades na captação de recursos de regimes próprios de previdência de estados e municípios para aplicações no Banco Master.

O conteúdo está sendo analisado pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Apesar disso, investigadores avaliam que os novos relatos ainda não apresentam elementos substancialmente diferentes das provas já reunidas durante as apurações.

Entre os materiais já obtidos pelas autoridades estão informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, considerado peça central das investigações em andamento.

Operação investiga pagamentos ligados ao senador

A mudança na narrativa sobre os repasses ocorreu após desdobramentos da Operação Compliance Zero. Uma das linhas de investigação aponta suspeitas sobre pagamentos mensais de aproximadamente R$ 300 mil destinados a uma empresa ligada ao senador Ciro Nogueira.

Segundo os investigadores, a contrapartida poderia estar relacionada à atuação em propostas legislativas no Congresso Nacional que teriam potencial de beneficiar o Banco Master.

Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade. O senador sustenta que não apresentou projetos com o objetivo de favorecer diretamente a instituição financeira e afirma que suas atividades parlamentares seguiram os trâmites legais.

Emenda Master está entre os pontos analisados

Entre os temas sob investigação está a chamada “Emenda Master”, proposta apresentada por Ciro Nogueira durante a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

A medida previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por CPF e por instituição financeira. O texto, entretanto, não foi incorporado ao relatório final elaborado pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM).

Os investigadores buscam esclarecer se houve alguma relação entre a proposta legislativa e interesses do Banco Master, hipótese que segue em apuração.

Decisão sobre a delação ainda está pendente

Até o momento, a Polícia Federal não informou oficialmente se aceitará ou rejeitará a nova proposta de colaboração apresentada por Daniel Vorcaro.

Caso o acordo não seja homologado, a tendência é que os investigadores solicitem a transferência do ex-banqueiro da cela especial onde está custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para uma unidade prisional comum.

A análise do material continua em andamento e poderá influenciar os próximos passos das investigações envolvendo o Banco Master, agentes políticos e possíveis irregularidades financeiras apontadas pelas autoridades.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading