Alexandre Silveira é citado em proposta de delação de Daniel Vorcaro sobre suposto caixa 2 eleitoral

Documento apresentado por dono do Banco Master menciona repasse de R$ 20 milhões à campanha de reeleição ao Senado do atual ministro de Minas e Energia

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, foi citado nas propostas de delação premiada apresentadas pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF). Segundo informações ligadas às investigações, reveladas pela repórter Malu Gaspar, em O Globo, o ministro é o único integrante do primeiro escalão do governo federal mencionado nos documentos entregues pelo banqueiro.

De acordo com os relatos atribuídos a Vorcaro, teria ocorrido um repasse de R$ 20 milhões em recursos não declarados para a campanha de reeleição de Silveira ao Senado Federal nas eleições de 2022. O material, no entanto, não detalha como a suposta operação teria sido realizada nem quais seriam as contrapartidas envolvidas.

Investigadores da Polícia Federal e integrantes do Ministério Público Federal consideraram as informações insuficientes para avançar em eventuais apurações, uma vez que os relatos não apresentariam elementos capazes de comprovar o alegado esquema de caixa 2.

Falta de detalhes gerou questionamentos de investigadores

Conforme fontes próximas ao caso, as minutas da colaboração premiada não trazem informações complementares sobre a origem dos recursos, os intermediários da operação ou benefícios obtidos em troca dos supostos repasses.

A ausência desses elementos teria sido um dos fatores que levaram integrantes dos órgãos de investigação a questionarem a consistência das informações apresentadas pelo ex-banqueiro.

Procurado para comentar o conteúdo da delação, Alexandre Silveira não respondeu aos questionamentos. Pessoas próximas ao ministro afirmam que ele sequer conhecia Daniel Vorcaro durante o período citado, razão pela qual consideram a acusação sem fundamento.

Trajetória política de Alexandre Silveira

Filiado ao PSD, Alexandre Silveira ocupou a cadeira no Senado por Minas Gerais após assumir a vaga que pertencia ao atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Antonio Anastasia, de quem era suplente.

Nas eleições de 2022, Silveira disputou a reeleição com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, integrou a chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, candidato ao governo mineiro.

Ambos acabaram derrotados nas urnas. Silveira perdeu a disputa para Cleitinho, enquanto Kalil foi superado pelo governador Romeu Zema.

Relação entre Vorcaro e integrantes do governo

Apesar da citação na proposta de delação, Alexandre Silveira e Daniel Vorcaro chegaram a participar de encontros públicos nos anos seguintes. Um dos episódios ocorreu em dezembro de 2024, durante uma reunião realizada no Palácio do Planalto.

O encontro contou ainda com a presença do presidente Lula, do ministro da Casa Civil, Rui Costa, do ex-ministro Guido Mantega e de Gabriel Galípolo, então indicado para a presidência do Banco Central.

Além disso, reportagens já haviam apontado a presença de Silveira em compromissos realizados em Belo Horizonte nos quais também estavam empresários ligados a investimentos financiados pelo Banco Master.

Doações oficiais não aparecem nos registros eleitorais

Até o momento, não existem registros no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que indiquem doações oficiais de Daniel Vorcaro para a campanha de Alexandre Silveira ao Senado.

Também não constam contribuições eleitorais em nome de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro do empresário, destinadas à candidatura do atual ministro.

Zettel, entretanto, realizou doações declaradas a outras campanhas nas eleições de 2022, incluindo contribuições para o ex-presidente Jair Bolsonaro e para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Delação amplia pressão sobre aliados citados em investigações

Embora o conteúdo integral da colaboração premiada não tenha sido divulgado, Alexandre Silveira aparece, até o momento, como o principal integrante da base governista mencionado nos relatos atribuídos a Daniel Vorcaro.

O ministro chegou a ser cogitado para disputar novamente uma vaga no Senado, mas decidiu permanecer no comando do Ministério de Minas e Energia após pedido do presidente Lula para continuar no governo.

Nos bastidores políticos, também havia expectativa sobre possíveis referências a outros integrantes do governo e aliados políticos ligados a contratos e operações envolvendo o Banco Master. Até agora, porém, as informações conhecidas publicamente colocam Silveira como o nome de maior destaque entre os citados nos documentos apresentados pelo empresário.

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