Santiago Peña presta depoimento sobre escândalo bancário no Paraguai

Ex-presidente compareceu ao Ministério Público em Assunção neste sábado (7), após ser destituído do cargo e detido por suspeitas de irregularidades ligadas ao Ueno Bank, instituição que entrou em colapso financeiro

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O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña compareceu, na manhã deste sábado (7), à sede do Ministério Público, em Assunção, para prestar depoimento no âmbito das investigações sobre o escândalo bancário que provocou uma crise política e financeira no país. A audiência ocorreu menos de 24 horas depois de sua destituição da Presidência e da decretação de sua prisão pela Justiça paraguaia.

Peña, de 47 anos, foi detido pela Polícia Nacional na noite de sexta-feira (6), em sua residência na capital. A prisão ocorreu após o Senado aprovar, por unanimidade, seu impeachment, encerrando o mandato iniciado em 2023.

Segundo as autoridades judiciais, há indícios de possíveis irregularidades envolvendo o ex-presidente e o Ueno Bank, instituição financeira que teve suas operações interrompidas após ser considerada insolvente pelo Banco Central do Paraguai.

O Ministério Público abriu uma investigação depois de receber uma denúncia apresentada por parlamentares da oposição, que atribuíram a Peña suspeitas de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude administrativa.

Ligação com banco que recebeu bilhões

Um dos principais pontos da investigação envolve a relação de Santiago Peña com o grupo empresarial responsável pelo Ueno Bank. Antes de assumir a Presidência, o político mantinha participação acionária na Ueno Holding, empresa ligada ao grupo controlador da instituição financeira. Segundo as informações divulgadas, ele permaneceu como acionista até março de 2025, quase dois anos depois de iniciar seu mandato presidencial.

Durante o período em que Peña esteve à frente do governo, o Ueno Bank recebeu aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos de órgãos públicos, valor equivalente a cerca de R$ 4,5 bilhões. A movimentação passou a ser examinada diante das suspeitas sobre a administração do banco e a possível existência de operações que teriam favorecido empresas relacionadas ao grupo controlador.

Os investigadores também apuram empréstimos concedidos a companhias ligadas à instituição, operações que podem ter contribuído para comprometer seu patrimônio. A crise se agravou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai determinou a suspensão das atividades do Ueno Bank e iniciou um procedimento de resolução da instituição.

A autoridade monetária considerou que o banco estava insolvente, situação caracterizada pela incapacidade de cumprir suas obrigações financeiras. O colapso provocou repercussões imediatas no sistema político paraguaio e ampliou a pressão sobre autoridades que mantinham vínculos com a instituição.

Crise provoca renúncias e derruba governo

A crise bancária também atingiu a direção do Banco Central do Paraguai. Carlos Carvallo, que presidia a autoridade monetária desde 2023, apresentou sua renúncia em meio ao escândalo. Antes de assumir o comando do Banco Central, Carvallo havia ocupado a presidência do Ueno Bank, ligação que ganhou destaque após a suspensão das atividades da instituição.

Com o avanço das investigações e o aumento da pressão política, Santiago Peña chegou a apresentar um pedido de renúncia ao Congresso paraguaio. A solicitação, entretanto, não foi aceita, e o processo de impeachment prosseguiu no Legislativo.

Na sexta-feira, o Senado decidiu, por unanimidade, pela destituição do presidente. Com a perda do cargo, Peña também deixou de contar com a imunidade política associada ao exercício da Presidência. Pouco depois, a Justiça determinou sua prisão, diante dos indícios de crimes identificados no âmbito das investigações sobre o escândalo financeiro.

Após a detenção, o ex-presidente foi transferido para uma instalação militar em Assunção, em meio a protestos de manifestantes que exigiam sua prisão. A transferência ocorreu por motivos de segurança, depois de confrontos entre policiais e pessoas que se concentraram nas proximidades da residência do político.

Peña publicou mensagem de despedida

Horas antes de perder oficialmente o cargo, Santiago Peña utilizou as redes sociais para publicar uma mensagem de despedida da Presidência. Na manifestação, o então presidente afirmou que havia decidido renunciar para evitar novos prejuízos ao Paraguai e impedir o agravamento da instabilidade política.

Segundo Peña, sua permanência no poder poderia aprofundar a divisão interna do país em um momento de forte tensão institucional. A publicação foi feita antes do encerramento da sessão do Senado que aprovou seu impeachment.

Apesar da tentativa de deixar o governo por meio da renúncia, a destituição acabou sendo formalizada pelo Congresso. Com a saída de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai, em meio aos desdobramentos da crise financeira e política.

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