A entrevista concedida por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao jornal americano The New York Times, publicada na quinta-feira (5), provocou frustração entre apoiadores do senador. Anunciada por aliados como uma oportunidade de apresentar ao público internacional sua versão sobre uma suposta perseguição política no Brasil, a reportagem acabou dando destaque às contradições do discurso do parlamentar e à falta de provas para algumas de suas acusações.
Logo na abertura, o jornal se referiu a Flávio como um “fugitivo”, contrariando a expectativa de setores bolsonaristas que apostavam na publicação para fortalecer a imagem do senador no exterior. O texto também confrontou declarações do político com informações já divulgadas pelo próprio veículo sobre sua saída do Brasil após a derrota na eleição presidencial.
A repercussão provocou críticas de apoiadores ao New York Times. Entre os insatisfeitos estava o comentarista Paulo Figueiredo, que havia demonstrado expectativa de que a entrevista ajudasse a apresentar uma imagem favorável do senador ao público americano.
Jornal confronta versão sobre fuga e ajuda americana
Um dos principais pontos de questionamento foi a maneira como Flávio Bolsonaro deixou o Brasil. O senador se recusou a revelar detalhes do deslocamento e afirmou que não recebeu ajuda de qualquer pessoa ou governo para organizar a viagem.
“Como eu saí do Brasil, isso eu levarei para o túmulo”, declarou o parlamentar, em uma frase escolhida pelo New York Times para a manchete da reportagem.
A versão apresentada pelo senador, entretanto, foi confrontada com informações publicadas anteriormente pelo jornal. Segundo a apuração, um funcionário do governo Donald Trump e uma pessoa próxima à família Bolsonaro teriam participado das providências para conseguir a aeronave que transportou a família da Argentina para a Flórida.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também havia afirmado, durante uma reunião ministerial do G20, que não ocorreu nenhuma ação institucional do governo dos Estados Unidos para viabilizar a viagem. As declarações apresentam versões distintas sobre a eventual participação de integrantes da administração Trump.
Acusações de fraude eleitoral também são questionadas
A entrevista de 75 minutos, conduzida pela jornalista Ana Ionova, também abordou as acusações de irregularidades nas eleições presidenciais de outubro. Flávio voltou a questionar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), classificando o resultado como matematicamente impossível, mas não apresentou provas de fraude.
O New York Times destacou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou as alegações de irregularidades e que observadores internacionais reconheceram a integridade da votação. O próprio PL, partido do senador, aceitou oficialmente o resultado das urnas.
“Tenho minhas suspeitas”, afirmou Flávio ao ser confrontado sobre a ausência de evidências. O parlamentar também reconheceu que suas tentativas de contestar a eleição dificilmente terão sucesso. “Perdi para o sistema”, declarou.
Reação de bolsonaristas e planos de nova candidatura
A abordagem crítica do jornal contrastou com a expectativa criada por aliados do senador. Antes da publicação, Paulo Figueiredo havia anunciado a entrevista como uma oportunidade de Flávio apresentar sua versão sem as restrições que atribui à imprensa brasileira.
Nas redes sociais, Figueiredo chegou a classificá-la antecipadamente como “a entrevista que a Globo teve medo de fazer”. A repercussão posterior foi marcada por críticas de apoiadores bolsonaristas à cobertura do jornal americano.
Apesar dos questionamentos, Flávio deixou claro que pretende continuar participando da política brasileira. O senador afirmou que retornaria ao país para disputar novamente a Presidência caso fossem convocadas novas eleições.
Autorizado a permanecer nos Estados Unidos com a família por pelo menos um ano, o parlamentar também pretende manter contato com aliados brasileiros e defender sua agenda política à distância.
Na noite de quinta-feira, Flávio, em companhia do irmão Eduardo, participou de um evento conservador da CPAC, na região de Miami, que também contou com a presença do ator Jim Caviezel, integrante do elenco de Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.







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