Executiva do PDT aprova federação com mais três partidos e defende entrada do PSB

Aliança com Solidariedade, PRD e Avante busca superar a cláusula de barreira e garantir recursos públicos; união pode reunir siglas de diferentes tradições políticas

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A Executiva Nacional do PDT aprovou, nesta sexta-feira (6), a entrada do partido em uma federação com Solidariedade, PRD e Avante. A decisão, tomada após a legenda não alcançar a cláusula de barreira nas eleições de outubro, representa uma mudança na estratégia política da sigla comandada por Carlos Lupi, que já foi uma das principais forças da esquerda brasileira sob a liderança de Leonel Brizola.

Além de autorizar a formação da aliança com os três partidos, a direção pedetista manifestou apoio à inclusão do PSB na composição. Caso a proposta avance, a federação reunirá cinco legendas com trajetórias e posicionamentos distintos, aproximando partidos historicamente identificados com a esquerda de agremiações situadas no centro do espectro político.

A iniciativa busca assegurar a sobrevivência institucional das siglas diante das exigências eleitorais estabelecidas pela legislação. A união permitirá que os partidos somem seus votos e representantes para cumprir os critérios de acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão.

Federação busca superar cláusula de barreira

O Solidariedade e o PRD já integram a Federação Renovação Solidária, formada em 2025. O Avante decidiu aderir ao grupo no mês passado, e agora o PDT também aprovou sua participação. A ampliação dependerá de formalização e aprovação pela Justiça Eleitoral.

Pelas regras vigentes nas eleições de 2026, os partidos precisam alcançar pelo menos 2,5% dos votos válidos nacionais para a Câmara dos Deputados, distribuídos por um terço dos estados, com percentual mínimo de 1,5% em cada um deles. A alternativa é eleger pelo menos 13 deputados federais distribuídos por nove unidades da Federação.

A cláusula de barreira vem sendo aplicada de maneira progressiva desde as eleições de 2018, com exigências ampliadas em 2022 e novamente em 2026. O PDT, que havia conseguido superar os requisitos nos dois pleitos anteriores, não alcançou o patamar exigido neste ano, segundo as informações que motivaram a decisão de sua Executiva.

A federação oferece uma saída porque permite contabilizar conjuntamente o desempenho eleitoral das legendas integrantes. Diferentemente das antigas coligações proporcionais, porém, exige atuação unificada por pelo menos quatro anos, abrangendo eleições nacionais, estaduais e municipais.

Segundo levantamento divulgado pela Câmara dos Deputados, o PDT, o Avante e a federação PRD-Solidariedade ficaram abaixo dos requisitos nas eleições de 2026. O PSB, por sua vez, conseguiu superar a cláusula de desempenho.

De Brizola à aliança com partidos de centro

A movimentação marca um novo capítulo na história do PDT, fundado em 1979 e identificado com o trabalhismo de Leonel Brizola. Durante seus anos de maior protagonismo, a legenda comandou os governos do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, além de disputar a Presidência da República com Brizola, uma das principais lideranças da redemocratização brasileira.

O PSB também construiu parte importante de sua trajetória no campo da esquerda, com lideranças como Miguel Arraes e, posteriormente, Eduardo Campos. A possível entrada na federação ampliaria a diversidade ideológica do grupo, que passaria a reunir tradições trabalhistas e socialistas com partidos de perfil mais centrista.

A composição exigirá negociações sobre programa político, direção nacional e funcionamento das bancadas. Embora cada legenda preserve sua identidade, a federação deverá atuar de forma coordenada nas disputas eleitorais e no Congresso Nacional.

O próximo passo será encaminhar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de ampliação da Federação Renovação Solidária. A nova composição dependerá de aprovação da Justiça Eleitoral e de ajustes no estatuto e na denominação do agrupamento.

Há ainda uma questão jurídica relevante: a possibilidade de considerar a nova composição para o cumprimento da cláusula de desempenho referente às eleições de 2026 depende de decisão do TSE. Portanto, o acesso aos recursos públicos ainda não está automaticamente assegurado.

Leia também: Acompanhe outras notícias sobre os partidos e os bastidores da política na Agenda do Poder.

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