Após impeachment e prisão domiciliar, Peña é transferido para instalação militar

Ex-presidente do Paraguai foi retirado de casa sob escolta após manifestantes exigirem sua prisão e entrarem em confronto com a polícia; transferência ocorreu por motivos de segurança

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O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi transferido para uma instalação militar em Assunção na madrugada deste sábado (7), poucas horas depois de ser destituído do cargo por impeachment e ter a prisão domiciliar decretada pela Justiça. A mudança ocorreu em meio a protestos diante de sua residência, onde manifestantes exigiam que o político fosse encaminhado a uma unidade prisional. A saída foi marcada por hostilidade, confrontos com policiais e arremesso de ovos contra a comitiva.

Segundo o jornal paraguaio ABC, a operação de transferência começou na noite de sexta-feira (6), pouco antes da meia-noite, diante da deterioração das condições de segurança no entorno da casa do ex-presidente. A presença de uma multidão e os confrontos com as forças policiais levaram as autoridades a decidir pela remoção de Peña para um local considerado mais seguro.

O destino foi o Regimiento Escolta Presidencial (REP), unidade militar localizada na capital paraguaia e responsável pela proteção do presidente da República, de seus familiares e de autoridades estrangeiras durante visitas oficiais. Embora seja uma instalação das Forças Armadas, o local não funciona como uma penitenciária convencional.

A transferência ocorreu poucas horas depois de uma das maiores reviravoltas políticas recentes do Paraguai. Na tarde de sexta-feira, o Congresso aprovou o impeachment de Santiago Peña, encerrando seu mandato em meio ao agravamento de uma crise econômica e institucional provocada pelo colapso do banco ueno.

Escândalo bancário provocou queda do governo

A destituição de Peña está relacionada às investigações sobre o banco ueno, cuja quebra desencadeou uma crise financeira e política no país. O ex-presidente é apontado como um dos sócios do grupo controlador da instituição e passou a ser investigado por suspeitas de irregularidades na administração do banco.

O escândalo também atingiu outras autoridades paraguaias. Em meio à repercussão das denúncias e ao agravamento da crise, o presidente do Banco Central e outros integrantes da administração pública apresentaram suas renúncias.

Logo após a aprovação do impeachment, a Justiça determinou a prisão domiciliar de Santiago Peña, no âmbito das investigações sobre possíveis crimes relacionados à gestão da instituição financeira. De acordo com o Ministério Público paraguaio, as suspeitas envolvem lesão de confiança, tráfico de influência e administração para proveito próprio.

As autoridades ainda deverão detalhar os fatos específicos atribuídos ao ex-presidente e as circunstâncias que fundamentam cada uma das acusações. Peña nega ter cometido os crimes investigados.

Justiça investiga três suspeitas de crimes

O ex-presidente deverá comparecer ao Ministério Público paraguaio neste sábado, às 10h, pelo horário de Brasília, para prestar esclarecimentos sobre as investigações relacionadas ao banco ueno.

A apuração busca determinar se Peña utilizou sua influência política ou sua posição no governo para favorecer interesses particulares ligados à instituição financeira. Também estão sob investigação possíveis irregularidades na administração de recursos e prejuízos decorrentes das operações do banco.

O colapso da instituição atingiu milhões de clientes e provocou protestos em diferentes regiões do Paraguai, aumentando a pressão pela responsabilização de dirigentes e autoridades. Com a destituição de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país ainda na sexta-feira, conforme a linha sucessória prevista na Constituição paraguaia.

A mudança de governo ocorreu em meio à tentativa de conter os efeitos da crise bancária e restabelecer a confiança da população nas instituições financeiras e políticas. Alliana assumiu a Presidência com o desafio imediato de enfrentar as consequências do colapso do banco ueno, incluindo a situação dos correntistas que tiveram recursos bloqueados.

Enquanto isso, Santiago Peña permanece sob custódia das autoridades paraguaias e terá de responder às investigações criminais. A transferência para uma instalação militar, segundo o relato do ABC, foi motivada por questões de segurança.

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