Rio aposta em energia limpa e data centers para ser polo de inteligência artificial na América Latina

Cidade busca atrair grandes projetos com bilhões e oferta de energia renovável, infraestrutura e mão de obra qualificada

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O Rio de Janeiro pretende assumir um papel de destaque na economia digital da América Latina ao combinar disponibilidade de energia renovável, infraestrutura tecnológica e investimentos bilionários. A estratégia da cidade passa pela atração de grandes data centers e pela formação de um ecossistema voltado à inteligência artificial (IA), computação em nuvem, telecomunicações e cibersegurança.

A Invest.Rio, agência de promoção e atração de investimentos da Prefeitura do Rio, avalia que entre 15 e 20 cidades globais deverão concentrar boa parte da economia digital nas próximas décadas. Segundo a agência, apenas duas ou três estarão na América do Sul, e o objetivo é colocar o Rio nesse grupo.

O projeto Rio AI City é considerado um dos principais pilares dessa estratégia. Previsto para a região da Barra da Tijuca, próximo ao Parque Olímpico, o complexo pretende se transformar em um dos maiores polos de data centers da América Latina, com infraestrutura destinada ao processamento de grandes volumes de dados.

Projeto prevê energia renovável em larga escala

O empreendimento foi desenvolvido em parceria entre a Prefeitura do Rio, o governo federal e a Elea Data Centers. A previsão é começar com capacidade de 1,5 gigawatt (GW) de energia, totalmente renovável, com possibilidade de expansão para até 3,2 GW.

A oferta de energia limpa em grande escala é apontada como um dos principais diferenciais do Rio para atrair empresas que precisam de enorme capacidade de processamento. A expansão da inteligência artificial vem aumentando a demanda mundial por servidores e data centers, tornando o acesso à eletricidade um fator estratégico para novos investimentos.

Em junho, a Elea anunciou um aporte inicial de US$ 550 milhões no projeto. O presidente da empresa, Alessandro Lombardi, estima que os investimentos da companhia possam ultrapassar US$ 10 bilhões e chegar a US$ 50 bilhões quando forem considerados também os equipamentos de informática, como chips especializados em IA e servidores.

Obras devem começar em 2027

As obras do Rio AI City estão previstas para começar no primeiro trimestre de 2027. O cronograma de implantação deve durar entre sete e dez anos, com expectativa de gerar cerca de 10 mil empregos diretos durante a construção.

Além das vagas relacionadas às obras, a expectativa é que o complexo estimule a criação de novas empresas e oportunidades no entorno, especialmente em áreas ligadas à tecnologia, inovação e serviços especializados.

Para a Elea, etapas consideradas fundamentais para a implantação do empreendimento, como a aquisição do terreno e a garantia do fornecimento de energia, já foram superadas.

Rio já ocupa segundo lugar no setor

O movimento ocorre em um mercado que já apresenta forte expansão no Brasil. O país possui pouco mais de 200 data centers, com potência instalada de aproximadamente 1 GW. A demanda existente pode sustentar novos projetos que, juntos, acrescentariam mais de 1 GW de capacidade, segundo estimativa da Associação Brasileira de Data Centers.

O Rio de Janeiro já é a segunda maior região brasileira em infraestrutura de data centers, atrás apenas de São Paulo. Atualmente, são 76 MW de potência em operação, 63 MW em construção e outros 40 MW em projetos planejados.

Empresas como Cirion Technologies e Ascenty também mantêm estruturas no estado. A Cirion possui duas unidades em São Cristóvão, enquanto a Ascenty opera um campus na Pavuna, na Zona Norte.

A estratégia, portanto, vai além da instalação de grandes centros de processamento. A intenção é consolidar no Rio uma cadeia tecnológica capaz de reunir infraestrutura digital, energia renovável, empresas de tecnologia, profissionais especializados e novos investimentos relacionados à inteligência artificial.

Com o avanço da IA e a crescente necessidade de processamento de dados, o Rio aposta na combinação desses fatores para disputar espaço entre as cidades que poderão liderar a economia digital na América Latina.

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