IPCA-15: prévia da inflação cai 0,40% em agosto com recuo de habitação, transportes e alimentos

Índice acumula alta de 4,24% em 12 meses e registra queda maior do que a esperada pelo mercado; todas as 11 regiões pesquisadas tiveram deflação

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A prévia da inflação oficial brasileira registrou queda de 0,40% em agosto, influenciada principalmente pela redução dos custos de habitação, transportes e alimentação. O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) foi divulgado nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A retração representa uma mudança significativa em relação a julho, quando o indicador havia avançado 0,06%. Também foi mais intensa que a registrada em agosto de 2025, quando o IPCA-15 apresentou queda de 0,14%.

O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado. Pesquisa da Reuters apontava uma projeção de queda de 0,30% para agosto. No acumulado de 12 meses, a estimativa era de uma inflação de 4,34%.

Com o resultado deste mês, o IPCA-15 acumula alta de 3,09% desde janeiro. Em 12 meses, a inflação medida pelo indicador desacelerou para 4,24%, ante 4,52% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Habitação exerce maior impacto sobre o índice

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, três tiveram papel decisivo para a deflação registrada em agosto.

Habitação apresentou a maior queda, de 1,41%. O grupo retirou 0,22 ponto percentual do resultado geral do IPCA-15, configurando a principal contribuição para a redução dos preços no período.

Transportes vieram em seguida, com recuo de 1%. O impacto foi de -0,20 ponto percentual. Alimentação e bebidas, outro componente importante do orçamento das famílias, caiu 0,57% e contribuiu com -0,12 ponto percentual para o índice.

A redução dos preços dos alimentos ajuda a explicar o resultado negativo mesmo diante das altas verificadas em outros segmentos de consumo.

Entre os demais grupos, as variações ficaram entre a queda de 0,20% registrada em Vestuário e o avanço de 0,66% em Despesas pessoais.

Saúde e cuidados pessoais subiram 0,40%, enquanto Educação avançou 0,46%. Artigos de residência tiveram variação positiva de 0,04%, próxima da estabilidade, e Comunicação recuou 0,02%.

Todas as regiões pesquisadas registram queda

A deflação de agosto não ficou concentrada em determinadas localidades. Todas as 11 áreas consideradas no cálculo do IPCA-15 apresentaram variação negativa no período.

Curitiba teve a maior queda, de 0,82%. Segundo os dados do IBGE, o resultado da capital paranaense foi influenciado principalmente pela redução de 15,34% nas passagens aéreas e de 4,83% na energia elétrica residencial.

Belém apareceu na sequência, com queda de 0,74%. Em Salvador, os preços recuaram 0,71%.

São Paulo, que responde pelo maior peso no cálculo nacional do IPCA-15, apresentou o resultado mais próximo da estabilidade entre as localidades pesquisadas. A variação foi de -0,06%.

A região paulista representa 33,45% do indicador nacional. O resultado foi pressionado no sentido contrário pela alta de alguns produtos e serviços. O leite longa vida, por exemplo, ficou 4,66% mais caro, enquanto o conserto de automóvel avançou 2,97%.

Ainda assim, essas altas não foram suficientes para impedir que São Paulo também terminasse o período com variação negativa.

IPCA-15 acumula 4,24% em 12 meses

A desaceleração do indicador no acumulado de 12 meses é outro destaque dos dados divulgados pelo IBGE. A taxa passou de 4,52% no período imediatamente anterior para 4,24% em agosto.

A leitura ficou abaixo dos 4,34% esperados por economistas consultados pela Reuters.

O IPCA-15 utiliza metodologia semelhante à do IPCA, considerado o índice oficial de inflação do país. Uma das diferenças está no período utilizado para a coleta dos preços.

Para o resultado divulgado nesta quarta-feira, os preços foram coletados entre 16 de julho e 14 de agosto de 2026. Os valores foram comparados aos encontrados entre 17 de junho e 15 de julho.

O levantamento considera os gastos de famílias com rendimento mensal entre um e 40 salários mínimos.

A pesquisa abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba. Brasília e o município de Goiânia também fazem parte do levantamento.

A próxima divulgação do IPCA-15 está prevista para 25 de setembro.

Veja a variação dos grupos em agosto

Alimentação e bebidas: -0,57%

Habitação: -1,41%

Artigos de residência: 0,04%

Vestuário: -0,20%

Transportes: -1%

Saúde e cuidados pessoais: 0,40%

Despesas pessoais: 0,66%

Educação: 0,46%

Comunicação: -0,02%

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