Ronald Nogueira
Distante de Flávio Bolsonaro desde que deixou a disputa ao Senado, Márcio Canella (União) voltou a ser disputado após levantamentos que o colocaram como possível deputado estadual mais votado do Rio. Para aparar as arestas com o filho primogênito de Jair Bolsonaro e entrar no palanque, caciques do União Brasil de Brasília já têm clara a “moeda de troca” necessária para apaziguar as mágoas: o apoio à presidência da Alerj.
Com interesse no posto, Canella necessitaria do apoio da bancada bolsonarista na Assembleia. O PL pretende eleger até 20 deputados estaduais no Rio – o que conferiria a maior bancada da Casa. Caso Flávio se eleja presidente da República, o apoio seria ainda mais valioso, já que atrairia outros partidos da base que, em âmbito nacional, passariam a ocupar postos no novo governo.
No União Brasil, que se manteve neutro quanto à disputa presidencial após decisão em conjunto com o Progressistas, é dado como certo o embarque de seus principais quadros na empreitada de Flávio. O próprio presidente nacional da legenda, Antônio de Rueda, deve estar no palanque do filho de Jair Bolsonaro.
A desistência de Canella da disputa ao Senado ocorreu menos de um mês depois de o ex-prefeito de Belford Roxo ter sido alvo da sexta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Em 7 de julho, Canella foi preso em flagrante após agentes encontrarem um fuzil calibre 5.56 no veículo em que estava durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. A operação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis que, segundo a PF, teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos.
A corporação aponta Canella como possível elo político do grupo investigado. A defesa nega envolvimento em atividades ilícitas e afirma que o armamento pertencia a um policial militar responsável pela segurança do político.
Politicamente, o episódio atingiu uma candidatura que tinha peso estratégico para o grupo de Flávio Bolsonaro (PL) no Rio. Canella era considerado um importante articulador na Baixada Fluminense, região fundamental para a disputa eleitoral e para o enfrentamento ao campo político de Eduardo Paes (PSD), aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após a operação, dirigentes do PL passaram a avaliar que a permanência do ex-prefeito na chapa ao Senado poderia gerar desgaste para o palanque bolsonarista e defenderam a busca de um substituto.
Ao abandonar a disputa majoritária, Canella optou por tentar retornar à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde já exerceu três mandatos. A decisão veio acompanhada do desembarque do União Brasil da aliança com o PL no Rio, deixando a federação União Progressista em posição de neutralidade e ampliando a indefinição em torno da composição da chapa de Flávio no Estado.







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