Contas externas brasileiras têm déficit de US$ 8,1 bi em julho e investimento estrangeiro recua, diz BC

Saldo negativo supera os US$ 6,9 bilhões registrados em julho de 2025; investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 7,5 bilhões no mês

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As contas externas brasileiras registraram déficit de US$ 8,1 bilhões em julho, resultado pior que o observado no mesmo mês do ano passado, quando o saldo negativo havia sido de US$ 6,9 bilhões. Os números foram divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Banco Central (BC).

De janeiro a julho de 2026, o déficit acumulado nas transações correntes chegou a US$ 35,9 bilhões. Os dados fazem parte do relatório de Estatísticas do Setor Externo, que reúne informações sobre as relações financeiras e comerciais do Brasil com outros países.

No acumulado de 12 meses encerrado em julho, o saldo negativo alcançou US$ 62,9 bilhões. No período equivalente de 2025, o déficit era de US$ 61,7 bilhões.

O resultado das contas externas leva em consideração diferentes movimentações de recursos entre o Brasil e outros países, incluindo comércio de mercadorias, serviços e fluxos de renda.

Balança comercial mantém superávit

Apesar do déficit das transações correntes, a balança comercial permaneceu no campo positivo. O superávit foi de US$ 6,2 bilhões em julho, ligeiramente abaixo dos US$ 6,4 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.

As exportações brasileiras totalizaram US$ 34,2 bilhões no mês, crescimento de 5,7% na comparação anual. Já as importações chegaram a US$ 28,1 bilhões, com avanço de 8,1%.

Como as compras feitas pelo Brasil no exterior cresceram em ritmo superior ao das vendas para outros países, o saldo positivo da balança comercial ficou abaixo daquele observado um ano antes.

As transações correntes, no entanto, abrangem mais componentes do que a balança comercial. Para calcular o indicador, o Banco Central considera também operações envolvendo serviços e movimentações de renda entre o Brasil e o exterior.

Um déficit significa que, no conjunto dessas transações, o país enviou ao exterior mais recursos do que recebeu. Já um superávit ocorre quando as entradas superam as saídas.

Em 2025, as contas externas brasileiras fecharam com déficit de aproximadamente US$ 68,82 bilhões, equivalente a 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB).

Investimento estrangeiro recua em julho

Os investimentos diretos no país (IDP), que medem os recursos aplicados por estrangeiros em empresas e projetos no Brasil, alcançaram US$ 7,5 bilhões em julho.

O resultado ficou abaixo dos US$ 8,4 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado.

No acumulado dos 12 meses encerrados em julho, os investimentos diretos chegaram a US$ 88,4 bilhões, montante equivalente a 3,50% do PIB.

O valor também representa uma redução em relação ao resultado acumulado até junho deste ano, quando o IDP estava em US$ 89,3 bilhões, ou 3,58% do PIB.

Na comparação com julho de 2025, entretanto, houve crescimento. Naquele momento, os investimentos estrangeiros diretos acumulados em 12 meses estavam em US$ 68,3 bilhões, correspondentes a 3,16% do PIB.

Reservas internacionais sobem para US$ 369,7 bilhões

O Banco Central informou ainda que as reservas internacionais brasileiras aumentaram US$ 2,2 bilhões entre junho e julho.

Com a alta, o estoque de reservas do país alcançou US$ 369,7 bilhões.

As reservas internacionais funcionam como uma proteção financeira para o Brasil diante de turbulências na economia mundial. Esses recursos podem ajudar o país a enfrentar situações de escassez de moeda estrangeira, movimentos abruptos nos mercados financeiros e outras crises externas.

Os números divulgados pelo BC mostram um cenário em que o país mantém uma reserva internacional elevada e continua recebendo investimentos estrangeiros, mas apresenta déficit maior nas transações correntes na comparação com julho do ano passado.

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