Emprego com carteira assinada bate recorde, mas informalidade segue alta, diz IBGE

Brasil chega a 103,3 milhões de pessoas ocupadas e registra 39,4 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado; trabalhos informais respondem pela maior parte das novas ocupações no trimestre

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O mercado de trabalho brasileiro alcançou novos recordes em julho, em um cenário de desemprego nas mínimas históricas e crescimento simultâneo das ocupações formais e informais. Dados divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o país chegou a 103,3 milhões de pessoas ocupadas.

Os números fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). No trimestre móvel encerrado em julho, a taxa de desemprego ficou em 5,3%. Em relação ao mesmo período do ano passado, o contingente de ocupados aumentou em 899 mil pessoas.

Na comparação com o trimestre móvel imediatamente anterior, a população ocupada cresceu 1%, com a entrada de aproximadamente 1 milhão de pessoas no mercado de trabalho.

Carteira assinada alcança recorde

O número de empregados com carteira assinada no setor privado chegou a 39,4 milhões, novo recorde da série histórica. Em relação ao trimestre móvel anterior, houve crescimento de 0,4%, equivalente à criação de 139 mil postos de trabalho.

Na comparação anual, o avanço foi maior: 314 mil empregos com carteira assinada foram acrescentados ao mercado de trabalho brasileiro, segundo o IBGE.

Os dados da Pnad Contínua não devem ser confundidos com os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Enquanto o levantamento do IBGE é realizado por meio de entrevistas domiciliares, o Caged, administrado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, acompanha os vínculos formais a partir da diferença entre admissões e desligamentos registrados pelas empresas.

Informalidade concentra novas ocupações

Apesar do recorde no emprego com carteira, a informalidade também ganhou espaço. A taxa chegou a 37,5% da população ocupada no trimestre terminado em julho, acima dos 37,2% registrados no período encerrado em abril. Há um ano, porém, o índice era ligeiramente maior, de 37,8%.

Dos cerca de 1 milhão de postos adicionados ao mercado de trabalho na comparação trimestral, 657 mil foram ocupações informais. O país contabiliza atualmente 38,8 milhões de trabalhadores nessa situação.

Pelos critérios do IBGE, entram nesse grupo empregados do setor privado e trabalhadores domésticos sem carteira assinada, além de trabalhadores por conta própria e empregadores sem CNPJ e trabalhadores familiares.

Construção ajuda a explicar avanço

Para William Kratochwill, analista da Pnad Contínua, a elevada participação da informalidade está relacionada a características estruturais do mercado de trabalho brasileiro, comuns a economias em desenvolvimento. Segundo ele, grande parte desse contingente é formada por trabalhadores por conta própria.

“Quando olhamos para economias desenvolvidas, como as dos países nórdicos, os trabalhadores por conta própria são parcela muito pequena”, disse Kratochwill. “São passos que a economia brasileira tem que dar para que a gente tenha emprego informal menor. Isso se deve mais pela estrutura (da economia e do mercado de trabalho) do que por alguma outra coisa.”

O avanço recente também está relacionado ao perfil dos setores que mais contrataram. A construção civil teve participação relevante no crescimento da ocupação no trimestre, atividade caracterizada por uma presença significativa de trabalhos temporários e informais.

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