Conhecida como Mãe Loira do Funk, Verônica Costa construiu uma trajetória incomum na política do Rio de Janeiro. Ligada aos bailes funk e à cultura das favelas desde os anos 1990, quando atuava na equipe de som Furacão 200, ela chegou à Câmara Municipal do Rio pela primeira vez em 2000 e se tornou uma das parlamentares com mais tempo de atuação na Casa. Nesta quinta (24), a ex-parlamentar é alvo da Justiça do Rio, em uma condenação já transitada em julgado pela tortura do ex-marido, Márcio Costa.
Verônica foi eleita para a primeira legislatura em 2000, assumindo o mandato em 2001. Depois, permaneceu na Câmara até 2008, ficou fora entre 2009 e 2012 e retornou ao Legislativo em 2013. A sequência de mandatos fez dela uma das figuras mais conhecidas da política carioca. Os registros oficiais da Câmara mostram sua passagem por diferentes partidos, como PL, PMDB, DEM e Republicanos.
Na eleição de 2020, pelo DEM, Verônica recebeu 17.939 votos e foi reeleita. O número representou uma redução em relação aos 36.961 votos obtidos em sua primeira eleição, em 2000. O resultado de 2020 correspondeu a 0,68% dos votos válidos para vereador na capital.
Da Furacão 2000 à Câmara do Rio
Antes de se consolidar na política, Verônica Costa ganhou notoriedade no universo do funk carioca, especialmente por sua ligação com a Furacão 2000, uma das principais equipes de som e produtoras do movimento.
A popularidade construída nos bailes ajudou a formar uma base eleitoral ligada principalmente às favelas da cidade. No Legislativo, a parlamentar manteve o funk como uma de suas principais bandeiras e defendeu o reconhecimento dos bailes e de outras manifestações culturais associadas às comunidades.
Um dos exemplos foi a atuação em torno do passinho. Projeto apresentado por Verônica na Câmara reconheceu a dança como patrimônio cultural imaterial do povo carioca, posteriormente transformado em lei municipal. A proposta se inseriu na estratégia de levar manifestações da cultura funk para dentro do debate institucional.
Projetos para mulheres e juventude
Ao longo dos mandatos, a atuação parlamentar de Verônica também passou por temas relacionados às mulheres, juventude, educação, saúde e direitos humanos.
No perfil oficial da Câmara, sua trajetória é apresentada como marcada pela defesa dos direitos dos jovens, pelo empoderamento das mulheres, pelo combate a violações de direitos humanos e por garantias para a comunidade LGBTQIA+.
Entre as propostas apresentadas pela vereadora estão iniciativas relacionadas à prevenção da violência contra a mulher, saúde feminina e educação. Em 2024, por exemplo, um de seus projetos tratou da adaptação de maternidades privadas às necessidades de gestantes usuárias de cadeira de rodas.
A produção legislativa também é extensa. Segundo levantamento citado em reportagens sobre sua trajetória, Verônica acumulou mais de uma centena de propostas aprovadas ao longo de seus anos na Câmara, muitas delas em parceria com outros vereadores.
Atuação nas comissões
Durante sua passagem pelo Legislativo, Verônica também ocupou espaços em comissões temáticas da Câmara. Entre as áreas ligadas à sua atuação estão a prevenção às drogas e a defesa da mulher, temas que dialogam com algumas das principais bandeiras de seu mandato.
A parlamentar também apresentou projetos em diferentes áreas, incluindo medidas de combate à discriminação e propostas relacionadas à segurança e à proteção de grupos vulneráveis. O sistema legislativo da Câmara reúne proposições de sua autoria desde os primeiros mandatos.
Brigas e outras polêmicas
A trajetória de Verônica Costa também foi marcada por episódios que ultrapassaram o plenário da Câmara.
Entre os mais conhecidos estão as brigas públicas com Priscila Nocetti, atual mulher de seu ex-marido, Rômulo Costa. As duas protagonizaram discussões públicas e troca de acusações que ganharam repercussão na imprensa e nas redes sociais.
Em julho de 2022, outro episódio chamou atenção. O carro blindado utilizado pela vereadora foi atingido por dois disparos durante uma tentativa de assalto na Avenida Brasil, na altura de Fazenda Botafogo, Zona Norte do Rio. Segundo o relato de Verônica, ela estava acompanhada de um motorista, uma assessora e uma fotógrafa. Ninguém ficou ferido. A ocorrência foi registrada e o veículo passou por perícia.
Condenação por tortura
O episódio de maior repercussão judicial envolvendo a vereadora teve origem em 2011, quando seu então marido, Márcio Costa, a acusou, juntamente com familiares, de agressões e tortura dentro da residência do casal, no Recreio dos Bandeirantes.
Segundo a acusação, Márcio teria sido amarrado e agredido. O caso deu origem a um processo criminal que se arrastou por anos.
Em 2019, Verônica foi condenada em primeira instância a cinco anos e dez meses de prisão pelo crime de tortura. A defesa recorreu.
Em abril de 2023, ao analisar o recurso, a Justiça do Rio manteve a condenação e elevou a pena para 10 anos e oito meses de prisão, em regime inicialmente fechado. A decisão também determinou a perda do cargo de vereadora.
A defesa contestou a condenação. Na época, o ex-marido de Verônica também declarou publicamente que considerava a pena aplicada a ela injusta.
Apesar da decisão judicial, a Câmara Municipal não abriu processo disciplinar contra a parlamentar. A Casa argumentou, à época, que as regras aplicáveis ao Conselho de Ética não permitiriam o enquadramento de fatos ocorridos antes do mandato em andamento.







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