PF desmantela esquema que infiltrava facções e milícias na política de Macaé

Operação Nova Capistrum cumpriu 21 mandados no RJ e na Paraíba contra empresários, políticos e servidores suspeitos de corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro.

Polícia Federal cumpriu 21 mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (2) em Macaé e na Paraíba para desarticular um esquema criminoso que, segundo as investigações, interferia de forma estruturada no processo democrático do município. A Operação Nova Capistrum, deflagrada com apoio do Ministério Público do Rio (MPRJ), mira empresários, políticos e servidores públicos apontados como articuladores de um grupo que usava dinheiro público, intimidação e apoio territorial de facções e milícias para influenciar eleições e manter controle sobre áreas estratégicas da cidade.

Dos 21 mandados cumpridos pela Delegacia da PF em Macaé, 16 foram no município fluminense e 5 na Paraíba, onde policiais estiveram em um condomínio de luxo em Intermares, Cabedelo, e no Centro de João Pessoa, em endereços ligados a suspeitos de integrar o esquema.

As apurações revelaram que empresas ligadas aos investigados mantinham contratos com a Prefeitura e com a Câmara Municipal de Macaé, servindo como canais para lavagem de dinheiro, desvio de recursos e favorecimento político. Relatórios do Coaf apontam movimentações financeiras que chegam a centenas de milhões de reais.

A investigação identificou que facções criminosas e milícias atuavam diretamente na coação de eleitores, no financiamento ilícito de campanhas e na inserção de representantes no poder público municipal, garantindo apoio político, financeiro e territorial aos então candidatos — muitos deles, hoje, já eleitos.

Entre os alvos estão indivíduos com forte atuação no tráfico de drogas e lideranças de uma narcomilícia com domínio territorial em comunidades de Macaé, além de suspeitos por operações financeiras incompatíveis com suas atividades formais.

As diligências também encontraram estruturas clandestinas que abasteciam o esquema, como empresas ilegais de internet (“gatonet”) e distribuidoras de gás utilizadas para atividades ilícitas tanto no Rio quanto na Paraíba. Além da lavagem de dinheiro e da corrupção eleitoral, foram identificados indícios de peculato, caixa dois e ameaças a candidatos independentes.

Segundo a PF, o objetivo da operação é proteger a integridade do processo democrático, impedir a infiltração de organizações criminosas na gestão pública e desarticular a rede de apoio financeiro e territorial que sustentava o grupo.

O nome Nova Capistrum faz referência ao termo latino capistrum, que significa “mordaça” ou “freio”, associado historicamente ao voto de cabresto, prática usada para controlar eleitores no período do coronelismo.

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