As revelações e suspeitas que cercam as relações de autoridades com Daniel Vorcaro, do Banco Master, transformaram o plenário da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em palco de uma guerra de narrativas nesta quarta-feira (2). De lados opostos do espectro político, Delegado Carlos Augusto (PL) e Flávio Serafini (PSOL) trocaram críticas sobre a condução e a divulgação das investigações envolvendo o banqueiro.
Ligado ao bolsonarismo, Carlos Augusto concentrou seu discurso em Alexandre de Moraes e nas informações atribuídas ao relatório da Polícia Federal sobre contatos envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e Vorcaro.
Serafini, por sua vez, defendeu que as suspeitas relacionadas a Moraes sejam investigadas, mas cobrou o mesmo rigor em relação a outros personagens mencionados no caso, incluindo o ministro André Mendonça, relator no STF de procedimentos relacionados ao Banco Master, e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.
Carlos Augusto provoca a esquerda
Carlos Augusto iniciou o discurso afirmando ter percebido uma mudança de comportamento de parlamentares e apoiadores da esquerda diante das informações envolvendo Moraes. Segundo ele, publicações favoráveis ao ministro teriam sido retiradas das redes sociais. “Agora, muitas pessoas da esquerda apagaram as publicações do ministro Alexandre de Moraes”, afirmou.
O deputado também ironizou aqueles que, segundo ele, anteriormente defendiam Moraes de forma enfática. Ao tratar das suspeitas envolvendo autoridades, o parlamentar defendeu que não haja tratamento diferente entre os investigados. “Todos devem responder pelos fatos em que estão sendo investigados”, disse.
Ele classificou o caso como um dos episódios mais graves que acompanhou durante sua trajetória política. “Infelizmente, estamos diante do maior escândalo que já vi na minha vida pública. Eu tenho 30 anos de vida pública e nunca vi um negócio desses”, declarou.
Deputado contesta críticas a Flávio Bolsonaro
Carlos Augusto também reagiu às referências a Flávio Bolsonaro no caso. O deputado argumentou que o candidato à Presidência estaria sendo responsabilizado politicamente enquanto outras relações de Vorcaro com autoridades receberiam tratamento diferente.
“O culpado é o Flávio Bolsonaro, que não ganhou um centavo disso; pediu um patrocínio para um filme – que, sinceramente, eu, se soubesse dessas coisas todas, não pediria, é lógico”, afirmou.
Serafini defende investigação sobre Moraes
Flávio Serafini adotou outro caminho. O deputado do Psol afirmou que as informações sobre uma possível relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro devem ser esclarecidas, inclusive quanto ao contrato firmado entre o banqueiro e o escritório de advocacia da mulher do ministro, advogada Viviane Barci de Moraes.
“A nossa posição é muito clara desde o início, quando veio à tona a existência de um contrato entre a mulher do ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro: que se investigue, que se mostre se houve alguma contrapartida do ministro Alexandre de Moraes”, declarou.
Serafini, porém, criticou o que classificou como divulgação seletiva de informações e sustentou que as apurações não devem se limitar a Moraes. O parlamentar cobrou esclarecimentos sobre as relações de outros personagens com Vorcaro e citou especificamente Flávio Bolsonaro.
“Nós queremos saber detalhadamente o que a Polícia Federal já conseguiu averiguar dessa manobra financeira capitaneada por Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Mendonça também entra na mira
Serafini direcionou parte significativa do discurso a André Mendonça. Na avaliação do parlamentar, o ministro, por estar à frente do caso no STF, deveria garantir transparência sobre todas as frentes das investigações relacionadas ao Banco Master, e não apenas sobre informações referentes a Alexandre de Moraes.
“Então o ministro Mendonça, se ele quer se fazer de correto e honesto, ele tem também que quebrar o sigilo de todas as investigações envolvendo o Banco Master, não só as que envolvem Alexandre de Moraes”, disse.
O deputado também cobrou esclarecimentos sobre encontro que Mendonça teria tido com Vorcaro. Serafini citou ainda mensagens divulgadas pela imprensa que, segundo ele, indicariam outros contatos entre pessoas próximas ao banqueiro e o ministro.
Para o parlamentar do PSOL, o ponto central é que as informações sejam divulgadas de maneira uniforme, respeitados os limites necessários para não prejudicar as investigações.
“Seja esse agente público o Ministro do Supremo Alexandre de Moraes, seja esse agente público o Ministro do Supremo Mendonça, seja esse agente público Flávio Bolsonaro, tem que vir tudo à tona”, afirmou.
Serafini encerrou defendendo a divulgação das informações que não estejam protegidas pela necessidade de preservar as apurações. “O Brasil precisa de transparência total, que cada um chegue às suas próprias conclusões, não através do filtro e da lente de um ministro”, declarou.







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