Hugo Motta não comparecerá ao ato do Planalto em memória do 8 de Janeiro

Presidente da Câmara repete ausência de 2025 em cerimônia marcada por tensão em torno do veto ao projeto da Dosimetria

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), não participará do ato que marca os três anos dos ataques golpistas de 8 de Janeiro, programado para esta quinta-feira (8/1), no Palácio do Planalto, informa o portal Metrópoles. A ausência repete o comportamento adotado no ano passado, quando o chefe da Casa Baixa também não compareceu à cerimônia organizada pelo governo federal.

O evento está marcado para as 10h, no Salão Nobre do Planalto, e prevê atividades internas e externas nas dependências do palácio. A expectativa do governo é reunir ministros, autoridades dos Três Poderes e representantes da sociedade civil em um ato simbólico de defesa da democracia.

Cerimônia ocorre em clima de tensão política

A decisão de Hugo Motta de não comparecer ocorre em meio a um ambiente de desgaste entre o Congresso e o Palácio do Planalto, intensificado pela possibilidade de veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei da Dosimetria. A proposta altera critérios para a fixação de penas e pode reduzir punições aplicadas aos condenados pelos atos antidemocráticos.

O texto foi aprovado pelo Senado em 17 de dezembro, com placar de 48 votos favoráveis e 25 contrários, e aguarda agora a decisão final do presidente da República. Lula já sinalizou publicamente que não pretende sancionar o projeto.

Projeto alcança condenados do 8 de Janeiro

A proposta aprovada pelo Congresso contempla diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, no julgamento que analisou a articulação e o incentivo aos atos que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes, em janeiro de 2023.

A possível redução de penas tem sido tratada pelo governo como um ponto sensível, especialmente em datas simbólicas como o aniversário dos ataques, quando o Planalto busca reafirmar o compromisso institucional com a preservação do regime democrático.

Outras ausências no alto escalão

Além de Hugo Motta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também não deve comparecer ao ato no Planalto. A ausência dos presidentes das duas Casas do Congresso reforça a leitura de distanciamento político em relação à cerimônia promovida pelo Executivo.

Apesar disso, o governo mantém a programação do evento e aposta na presença de ministros, autoridades do Judiciário e representantes da sociedade civil para marcar a data como um momento de memória, reflexão e reafirmação dos valores democráticos.

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