Depois de tentar por três eleições seguidas conquistar uma cadeira na Câmara de Vereadores do Rio e terminar como suplente em todas elas, William Correia, conhecido como “Justiceiro de Copacabana”, agora tenta um voo mais alto: uma vaga na Câmara dos Deputados. Aos 39 anos, ele será candidato a deputado federal pelo Democracia Cristã (DC), que decidiu apostar no nome e reservou a ele o número de urna 2727, considerado o melhor da chapa por representar duas vezes a dezena de registro da legenda (27) na Justiça Eleitoral.
O DC vê em William um candidato com potencial eleitoral. A estratégia é apostar na exposição construída nas redes sociais e na identificação do candidato com o discurso de combate à criminalidade, tema que costuma mobilizar parte do eleitorado conservador do Rio. A candidatura, porém, também chega às urnas cercada por controvérsias envolvendo a atuação do grupo liderado por ele.
William começou a disputar eleições em 2016, quando concorreu a vereador pelo PP. Recebeu 681 votos e ficou na suplência. Em 2020, pelo Solidariedade, aumentou a votação para 1.144 votos, mas novamente não conseguiu uma cadeira. Quatro anos depois, já pelo DC, chegou a 2.375 votos e terminou outra vez como suplente.
A evolução da votação mostra crescimento entre as três campanhas municipais, mas ainda sem alcançar uma cadeira no Legislativo carioca. Agora, o desafio é maior: uma eleição para deputado federal, em que a disputa envolve todo o estado do Rio de Janeiro.
Do ativismo contra assaltos à disputa eleitoral
A trajetória política de William está diretamente associada à atuação contra furtos e roubos em Copacabana. Professor de artes marciais, ele ganhou notoriedade nas redes sociais ao publicar ações relacionadas à identificação de suspeitos, recuperação de objetos e apoio a vítimas.
Ele também fundou e passou a liderar o grupo Anjos da Guarda Vigilância Comunitária (AGVC), que posteriormente ampliou sua atuação para outros bairros. O trabalho deu a William uma base de seguidores nas redes sociais e ajudou a construir a imagem pública que agora é utilizada como capital político na campanha.
É justamente essa associação com a segurança pública que deve ser um dos principais eixos da candidatura. A intenção de disputar uma vaga no Congresso representa uma mudança de escala no projeto político: em vez de atuar apenas no debate sobre os problemas da cidade, William pretende transformar a notoriedade construída nas ruas e nas redes em votos em todo o estado.
A estratégia eleitoral, entretanto, não está livre de questionamentos. Em maio, a Justiça determinou que William e integrantes do AGVC não organizassem, incentivassem ou divulgassem ações de vigilantismo envolvendo crianças e adolescentes.
A decisão ocorreu em uma ação apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que apontou William como fundador e líder do grupo conhecido como “Justiceiros de Copacabana”. O caso envolve acusações relacionadas à perseguição e à divulgação de imagens de adolescentes suspeitos de cometer crimes.
A determinação judicial estabeleceu restrições à atuação do grupo em relação a menores de idade. William nega a caracterização de sua atuação como milícia e afirma que realiza um trabalho voluntário de apoio à população e à polícia. A imagem de “justiceiro”, embora associada à sua trajetória pública, também é rejeitada por ele.
A aposta do DC
Ao colocar William como candidato com o número 2727, o DC demonstra que pretende explorar uma candidatura com forte presença digital e discurso concentrado na segurança pública. O partido oferece ao candidato uma posição de destaque dentro da própria chapa, numa tentativa de transformar sua popularidade nas redes em desempenho eleitoral.
A aposta também ocorre em um cenário no qual candidatos ligados ao debate sobre segurança pública buscam espaço entre eleitores insatisfeitos com a criminalidade no estado.
William já conta com mais de 120 mil seguidores em uma de suas redes sociais e mantém presença frequente em conteúdos relacionados a ações contra criminosos. A exposição digital, contudo, ainda precisa ser convertida em votos fora de sua principal área de atuação, especialmente porque uma candidatura a deputado federal exige alcançar eleitores em diferentes regiões do estado.
Outro desafio será ampliar alianças políticas. O candidato já aparece associado a possíveis dobradas eleitorais, entre elas com o ex-vereador e ex-policial militar Chico Machado, do PL.
Na candidatura de 2026, William não declarou bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).







Deixe um comentário