TJRJ começa a julgar caso de suposta ligação de Lucinha com milícia; Eduardo Paes e Pedro Paulo podem depor

Ex-governador Cláudio Castro também está entre os nomes arrolados no processo que julga a parlamentar e ex-assessora por envolvimento com a quadrilha de Zinho

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O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) começou a fase de audiências para depoimentos no processo criminal contra a deputada estadual Lucinha (PSD) e sua ex-assessora parlamentar Ariane Afonso Lima, acusadas pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) de integrar o núcleo político da milícia comandada por Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho. A primeira audiência foi realizada na quinta-feira (6) e a próxima está marcada para a quinta-feira (13)

Entre os nomes relacionados no processo como testemunhas que poderão ser ouvidas estão o ex-prefeito do Rio e candidato a governador Eduardo Paes (PSD) e o deputado federal e candidato a senador Pedro Paulo (PSD).

A denúncia do MPRJ, apresentada em 2025, sustenta que Lucinha e Ariane faziam parte do núcleo político da maior milícia do Rio, liderada por Zinho. Segundo a acusação, a atuação das duas estaria relacionada a supostas facilidades e auxílios oferecidos ao grupo paramilitar.

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal também são citadas pelo Ministério Público. De acordo com a denúncia, Lucinha era chamada de “madrinha” por integrantes da organização criminosa, em referência às supostas facilidades proporcionadas ao grupo.

A milícia de Zinho atua principalmente em áreas da Zona Oeste do Rio, região que também concentra o principal reduto eleitoral de Lucinha.

A deputada e a ex-assessora sempre negaram as acusações.

Como o caso chegou a Lucinha

Segundo a denúncia, a investigação que levou às suspeitas contra Lucinha e Ariane teve origem em uma operação policial realizada em novembro de 2021, após informações de que integrantes do grupo de Zinho fariam uma reunião com motoboys de Seropédica, na Baixada Fluminense.

A reunião teria como objetivo definir valores que seriam cobrados dos profissionais para que pudessem trabalhar na região sob domínio da milícia.

Uma equipe do 24º BPM (Queimados) foi enviada ao local e recebeu disparos. Um policial morreu durante a ação.

O caso passou a ser investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). Entre os investigados estava Rodrigo dos Santos, conhecido como Latrell, apontado como número dois de Zinho e responsável pelo braço armado da organização.

Latrell foi preso em março de 2022. Na ocasião, policiais apreenderam telefones celulares cujo conteúdo, posteriormente analisado com autorização judicial, teria contribuído para o avanço das investigações.

Em dezembro de 2025, o Tribunal de Justiça do Rio aceitou a denúncia do Ministério Público contra Lucinha e Ariane. Com isso, as duas passaram à condição de rés. Lucinha contestou a decisão que recebeu a acusação, mas o recurso apresentado pela deputada foi rejeitado por unanimidade.

Neo primeiro dia de audiência estavam previstos os depoimentos das testemunhas indicadas pelo Ministério Público.

Entre os nomes relacionados no processo estão:

  • Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio;
  • Breno Carnevale, secretário de Segurança Urbana do Rio;
  • Luiz Henrique Marinho Pires, ex-secretário estadual de Polícia Militar;
  • Bruno Humelino de Oliveira, promotor de Justiça;
  • Jaime Cândido da Silva Júnior, delegado da Polícia Federal.

No caso do delegado Jaime Cândido, que está lotado em Brasília, foi autorizada a possibilidade de depoimento por videoconferência.

O promotor Bruno Humelino também poderá ser ouvido presencialmente ou por videoconferência.

Defesa também terá testemunhas

Na segunda audiência, marcada para 13 de agosto, às 11h30, devem ser ouvidas as testemunhas indicadas pelas defesas de Lucinha e Ariane.

Entre os nomes relacionados à defesa aparecem o ex-governador Cláudio Castro (PL) e Diogo de Freitas Borba, subprefeito da Zona Oeste.

Depois dos depoimentos das testemunhas, está previsto o interrogatório de Lucinha e Ariane.

A Justiça também autorizou, quando necessário, a realização de depoimentos por videoconferência para facilitar a participação de autoridades que estejam em outras cidades ou tenham compromissos funcionais.

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