Os Houthis lançaram neste sábado (19) uma ofensiva contra Riad, capital da Arábia Saudita, ampliando a escalada militar entre o grupo do Iêmen, apoiado pelo Irã, e as forças sauditas. Explosões foram ouvidas durante a madrugada e, horas depois, uma grande coluna de fumaça negra foi vista nas proximidades do Aeroporto Internacional Rei Khalid.
A coalizão liderada pela Arábia Saudita informou que um míssil balístico disparado pelos Houthis contra Riad foi interceptado e destruído pelas defesas aéreas. Os rebeldes reivindicaram ataques com mísseis e drones contra locais que classificaram como “sensíveis” na capital saudita.
Um incêndio atingiu um depósito de combustível nas proximidades do aeroporto. Jornalistas da AFP acompanharam o trabalho dos bombeiros em um tanque que levava a identificação da petrolífera Saudi Aramco. Imagens verificadas pela agência mostraram uma extensa coluna de fumaça sobre a região.
A Reuters também registrou chamas e fumaça nas proximidades do principal aeroporto da capital. Até a noite de sábado, as autoridades sauditas não haviam informado vítimas ou confirmado que o incêndio tivesse sido provocado diretamente pelo ataque.
Alertas são disparados durante a madrugada
Horas antes do incêndio, moradores de Riad receberam um alerta das autoridades sobre uma ameaça aérea. Foi o primeiro aviso desse tipo emitido na capital desde que os confrontos entre os Houthis e a Arábia Saudita voltaram a se intensificar, em julho.
“A região está sob uma ameaça aérea hostil”, alertava uma mensagem recebida pelos moradores de Riad em seus telefones pouco antes das 3h locais (21h de sexta-feira, no horário de Brasília), na qual eram orientados a permanecer em casa.
Jornalistas da AFP relataram ter ouvido duas fortes explosões. Cerca de meia hora depois, a Defesa Civil saudita suspendeu o alerta.
A coalizão saudita afirmou posteriormente que os Houthis também tentaram atingir alvos civis e de infraestrutura em Taif, Farasan, Baysh e Yanbu. Segundo as autoridades, os ataques foram neutralizados pelas defesas do país. Os Houthis, por sua vez, afirmaram ter atacado instalações da Saudi Aramco em Yanbu, importante polo petrolífero na costa do Mar Vermelho.
Confronto voltou a se intensificar em julho
A ofensiva contra Riad representa um novo capítulo na escalada iniciada em julho, quando os Houthis anunciaram um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita. Desde então, ataques e operações militares se intensificaram no Iêmen e em território saudita.
Na última semana, o grupo anunciou ter derrubado um caça F-15 saudita que sobrevoava a região de Marib, no Iêmen, e posteriormente divulgou imagens de integrantes ao lado de destroços atribuídos à aeronave.
Na terça-feira (15), a Arábia Saudita afirmou ter abatido um drone que seguia em direção a Meca, cidade mais sagrada do Islã. Os Houthis negaram responsabilidade pelo episódio.
O avanço militar do grupo no território iemenita também aumentou a preocupação regional. Nas últimas semanas, os Houthis conquistaram áreas estratégicas na costa do Mar Vermelho, pressionando as forças do governo do Iêmen reconhecido internacionalmente e apoiado por Riad.
Disputa aumenta tensão sobre rota estratégica
Um dos principais pontos de preocupação é o estreito de Bab el-Mandeb, passagem que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e constitui uma das principais rotas marítimas internacionais.
Os Houthis ampliaram sua presença na região e avançaram sobre áreas estratégicas próximas ao estreito. A movimentação aumenta os riscos para a circulação de embarcações e para o transporte internacional de petróleo e outras mercadorias.
A escalada já provocou mudanças nas orientações internacionais de segurança. Os Estados Unidos endureceram recomendações de viagem para a Arábia Saudita, enquanto Riad busca reforçar sua capacidade de defesa aérea diante do aumento dos lançamentos de drones e mísseis.
A ofensiva deste sábado levou o confronto novamente ao centro político da Arábia Saudita. O ataque a Riad foi o primeiro contra a capital desde a retomada da atual escalada, ampliando os temores de que o conflito no Iêmen se espalhe ainda mais pelo território saudita e afete rotas estratégicas do comércio e da energia no Oriente Médio.







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