O Governo do Estado do Rio de Janeiro e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram nesta sexta-feira (25) um Memorando de Entendimentos para acelerar a estruturação dos projetos de expansão e construção das linhas 2, 3 e 4 do metrô na Região Metropolitana. A parceria também envolve a Coppe/UFRJ e pretende deixar estudos técnicos avançados para que a próxima gestão estadual possa decidir sobre o início das obras.
O acordo não representa, neste momento, autorização para construir os novos trechos. A iniciativa estabelece uma nova etapa de planejamento, que incluirá estudos sobre demanda de passageiros, possíveis traçados, integração da rede e alternativas de engenharia e financiamento. A Linha 3, projetada para conectar a capital a Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, está entre os principais projetos contemplados pela cooperação.
O governador em exercício, Ricardo Couto, evitou estabelecer prazo para o começo das intervenções. Segundo ele, a decisão deverá ser tomada pelo governador eleito, que assumirá o Palácio Guanabara em janeiro de 2027.
“Estamos antecipando para o próximo governo estudos e projetos de mobilidade urbana. Após as eleições, se o governador eleito assim desejar, poderemos assinar o pacto para iniciar essa agenda. Seria irresponsável assumir um compromisso dessa dimensão às vésperas da eleição”, afirmou.
Linha 3 poderá atravessar a Baía de Guanabara
Entre as alternativas em análise para a Linha 3 está um percurso partindo da região do Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, até Gragoatá, em Niterói. A ligação seria feita por um túnel subterrâneo sob a Baía de Guanabara, escavado com equipamento conhecido como “tatuzão”. O desenho, no entanto, ainda não é definitivo.
Ao todo, oito projetos de mobilidade vêm sendo analisados pela Coppe. As expansões das linhas 2 e 4 serão incorporadas à cooperação com o BNDES, mas os percursos finais dependerão dos novos levantamentos.
Segundo a superintendente da Área de Soluções para Cidades do BNDES, Luciene Machado, uma pesquisa de origem e destino será fundamental para identificar os principais fluxos de passageiros entre Rio, Niterói e São Gonçalo e orientar as decisões sobre os investimentos.
“Hoje não conseguimos dizer com exatidão qual será o traçado. Vamos estudar desde onde a obra deve começar até qual é a solução de engenharia mais segura e com melhor impacto econômico para o Estado”, explicou.
Alternativas discutidas anteriormente, entre elas uma ligação associada à Ponte Rio-Niterói e diferentes modelos de túnel sob a Baía de Guanabara, deverão ser reavaliadas diante das tecnologias disponíveis atualmente.
Estudos devem atualizar demanda após pandemia
O coordenador dos estudos pela Coppe/UFRJ, professor Glaydston Mattos Ribeiro, destacou que as mudanças nos hábitos de deslocamento após a pandemia exigem uma revisão dos modelos usados anteriormente para planejar a expansão da rede.
“Desde 2023 verificamos uma mudança importante na forma como as pessoas se deslocam. Isso afeta diretamente o sistema de transporte. Precisamos entender essa nova dinâmica para definir o melhor traçado e atender às necessidades reais da população”, afirmou.
A previsão é que os estudos atualmente em andamento para a Linha 3 sejam concluídos até o fim de 2027. As análises das linhas 2 e 4 passarão a integrar o mesmo esforço de planejamento.
A Linha 3 é discutida há décadas. Estudos recentes da Coppe projetaram uma conexão de aproximadamente 50 quilômetros entre Rio, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, com 29 estações, embora o desenho definitivo ainda dependa das análises em curso.
BNDES financiará estudos antes da definição das obras
O BNDES deverá financiar integralmente a contratação das consultorias responsáveis pela nova etapa dos estudos. O banco ainda não realizou desembolsos e a forma de ressarcimento dependerá do modelo escolhido posteriormente para tirar os projetos do papel, seja por obra pública, seja por parceria público-privada (PPP).
O secretário estadual de Fazenda, Guilherme Mercês, relacionou a iniciativa à renegociação da dívida do Estado com o BNDES, processo que busca reduzir custos financeiros e ampliar a capacidade de investimento fluminense.
“Os estudos serão custeados inicialmente pelo BNDES. Depois de concluídos, o Estado negociará a forma de financiamento das eventuais expansões”, afirmou.
A expansão da Linha 2 deverá ser planejada também com o objetivo de reduzir a pressão sobre a Linha 1. Já a Linha 4 terá suas possibilidades de prolongamento reavaliadas, sem obrigação de reproduzir projetos concebidos nas últimas décadas.
A Agenda do Poder mostrou anteriormente que um levantamento do BNDES colocou a ampliação da rede metroviária entre um conjunto de projetos de mobilidade estimado em R$ 68 bilhões. O pacote inclui metrô, VLT e BRT e voltou a colocar a Linha 3 no centro do debate sobre o transporte metropolitano. Leia mais sobre os projetos de mobilidade discutidos para o Rio.







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